Outonal

Chegou este outono

Com seus ventos cantoralantes

Cantando nostalgias, saudades, encontros

A ponta do teu nariz gelado em minha nuca.

Tempo dos ultimos preparativos antes de nos fecharmos em nossas conchas quando o inverno chegar.

E se apressem, ainda há tempo, mas ele é pouco.

Ainda é possivel declarar seu amor

Rasgar o peito e transbordar toda paixão

Trançar com desejos aguados

Um manto para o bem amado

Ainda há tempo para fazer um ninho

Um ninho para este amor sépia

Este amor antigo, guardado

Que cheira a lavanda.

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And this autumn cames

With its hummed winds

Singing nostalgy, longing, meetings

The tip of your cold nose on my back.

Time for the last preparations before we retreat ourselves into our shells for when the winter comes.

And hurry up, there is still time, but it is short

It is still possible to declare your love

Rip your chest and overflow all passion

Braiding with watery desires

Braiding with watery desires

A cloak for the beloved

There’s still time to make a nest

A nest for this sepia love

This ancient love, stored love

That smells like lavender.

Photo by Julia Pelish Photography

Pequenina poesia

Existe uma parte cá dentro

Onde neva dia e noite

Uma parte muito bem escondida

 Onde dançamos abraçados

Qual dois bailarinos dentro daqueles globos

Que quando seguramos com as mãos e mexemos

Fazem nevar neste mundo a parte.

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There is a part inside of me

Where it snows day and night

A very well hidden part

 Where we dance embraced

As a couple of dancers inside those globes

That when we hold with our hands and move

It makes to snow in this world apart

 

Baunilha (“Xanath”) , a lenda da flor escondida

Os astecas já conheciam a baunilha, ela era consumida juntamente com o chocolate, e era uma bebida destinada aos nobres e aos guerreiros. Eles não a cultivavam, ela era fornecida pelos totonacas, povo que habitou a região costeira da Peninsula do Golfo do México. Há varias lendas sobre a baunilha, todas elas centradas na figura de uma princesa, em uma um deus se apaixonou por ela e por não ser correspondido se vingou a transformando em uma flor ( a flor cuja vagem é a baunilha), e uma outra que eu gosto mais que vou contar a voces.

Conta-se que um rei totonaca teve uma filha de inigualável beleza e sua mãe a colocou a serviço da deusa Tonacayohua, a deusa da colheita e das sementes. A moça, chamada Tzacopontziza, era tão bela que ganhou também do nome de  estrela da manhã.

Um dia saindo do templo para buscar animais que ofereceria a deusa, apareceu em seu caminho o jovem Zkatan-oxga. Eles se enamoraram. Ele já havia visto  Tonacayohua antes e deste então, era apaixonado por ela. Sabendo que  seria degolado por estar apaixonado pela estrela da manhã, ele a levou atráves do caminho da montanha.

Porém , pouco tinham andando, um monstro que soltava fogo apareceu no caminho e os fez retroceder, de modo que, acabaram sendo encontrados pelos sacerdores do templo. Estes furiosos com a fuga do casal degolaram aos dois , depositando seus corpos em oferenda a deusa mas jogando seus corações num barranco.

Todas as plantas no local onde foram jogados os corações dos amantes morreram, muitos imaginaram ser uma maldição pelo que havia ocorrido aos jovens. Porém, pouco depois começou a crescer um arbusto que, de maneira milagrosa em pouco tempo alcançou um tamanho de muitos palmos e ficou coberto de folhagem.

Una vez que o arbusto chegou ao seu tamanho final, ao seu lado começou a brotar uma orquídea trepadeira, a qual foi envolvendo o tronco da árvore, dando a impressão de ser os braços delicados de uma mulher que suavimente abraçava os troncos, parecia protegida a sombra da arvore, tal qual uma namorada repousando no peito de seu amado, continuou crescendo enchendo-se de formosas flores.

Estes brotos prodigiosos chamaram a atenção do povo, que juntamente com os sacerdotes concluiram que o sangue dos jovens havia sido transformado no arbusto e na orquídea, asombrando-se todavia mais quando as flores que haviam nascido neste lugar ao amadurecerem desprendia um delicioso e penetrante aroma .

A orquídea foi declarada sagrada, convertendo-se em objeto de culto e constituindo-se como oferenda divina, do sangue da princesa nasceu a baunilha que em totonaco é chamada  “Xanath” (flor escondida) e em azteca “Tlilxóchitl” (flor negra).

COMO FAZER ESSÊNCIA DE BAUNILHA EM CASA

A essência de baunilha comprada em mercados não possui nada da baunilha sabiam? É um amontoado de  substâncias químicas , muitas pouco saudáveis. Fazer essência de baunilha em casa é bem fácil e fica muito mais saborosa.  Seguem os ingredientes e modo de preparo:

Ingredientes:

  • 3  a 4 favos de baunilha
  • vodka de boa qualidade ou alguma outra bebida coma lto teor alcoolico (eu prefiro vodka)

Modo de preparo

Corte as fava nosentido do longo eixo, de modo que a parte interna deixe a mostra uma geleia que exite no interiro delas. Não retire, apenas deixe aberto os favos.

vanillabean

Depois coloque numa garrafa ou pote esterilizado que ficara hermeticamente fechado após ser enchido com a bebida alcóolica. Guarde num local seco e com pouca luz. Eventualmente balance a garrafa para homogenizar o liquido. Em dois meses voce terá sua essencia de baunilha. Não retire os favos de dentro da garrafa até que a essencia acabe.

essencia de bauilha

Meus perfumes prediletos

cheiro de sabonete

cheiro de roupa limpa

cheiro de cebola fritando

lar

cheiro de dama da noite abrindo

cheiro da minha pequena aninhada em meus braços

cheiro de chá de limão e mel para quando adoeço

amor

cheiro de livro sendo aberto

cheiro de chuva chegando

cheiro de bolo de chocolate assando

aconchego

cheiro de mar

cheiro de flor de pessegueiro

cheiro de leite de rosas

saudade

perfume

imagem retirada deste link : https://br.pinterest.com/pin/439101032400365570/

Miradas e Miragens

(Portugues/English)

Possuia a mistura perigosa de

Pensar demais e sentir profundamente.

E sonhar realidade impossíveis.

Não gostava de olhar nos olhos,

Assim evitava ler pensamentos que não eram dela

Prefiria o outro oculto.

Preferia que o outro se desnudasse por sua própria vontade.

Mas mirava no fundo dos olhos os seus iguais

Os feitos do mesmo sangue, barro e chuva

Pois eram assim que eles conversavam

Mudos, sussurrantes, chuvosos.

Gostava da chuva, gostava de ver as gotas d’agua no vidro

Gostava de ver como elas escorregavam e se juntavam em um só.

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She had the dangerous mixture of

Think too much and feel deeply.

And dream impossible realities.

She did not like to look into the eyes of others,

In this way she avoided reading thoughts that not belongs to her

She would prefer the other occult.

She preferred the other undressed of his own free will.

But she looked in the eyes of her peers

Those who were made of the same blood, clay and rain

Because that’s how they spoke

Dumb, whispering, rainy.

I liked the rain, I liked to see the drops of water on the glass

I liked to see how they slipped and gathered into one

 

 

Tristesse

(Portuguese/English)

Gotas de água salgada guardadas nos olhos dele

A boca da amada, amarga de saudade

Mãos que anseiam bailar entreleçadas.

Mirando a mesma lua, cada qual do seu lado.

 

Todas as noites a se amar em sonhos

E, ver a memória dos corpos unidos

Se esvanecer com as primeiras luzes do amanhecer

Se mesclando às nuves roseas.

 

Um amor que existe para não ser.

E mesmo não sendo , devora os olhos

Crava suas raízes dia após dia.

Teriam sido almadiçoados pelos deuses?

 

Aquele amor adiado,

aquela hóstia imaculada

aquela alquimia, e de repente

desaprenderam seu próprio idioma.Estrangeiros, mudos.

 

Ele cortou os ramos que o conectavam a ela

Jogou sal por sobre as flores

Chovia dentro dela

Ela se recolheu em sua concha

 

Eles que eram feitos do mesmo barro

Que se traduziam em murmurante silencio

Eles, que quando se miravam

Viam nos olhos um do outro, o abismo, as constelações

Refletindo a perfeição do encaixe entre seus seres

Aquele amor ,

Por que ele existia se não podia ser?

 

Num parque, não se sabe onde

Um banco  feito de ventos lunares

Aguarda os amantes

Numa outra realidade possível

Lá, onde eles podiam ser.

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Drops of salt water in his eyes

The mouth of the beloved, bitter of longing

Hands that yearn to dance interlaced.

Looking at the same moon, each on your side.

Every night making love in dreams

And, see the memory of the united bodies

Fade away at the first light of dawn

Merging with the rose clouds.

A love that exists  to not to be.

And even being, devour the eyes

Crave your roots day after day.

Had they been cursed by the gods?

That deferred love,

That immaculate wafer

That alchemy, but suddenly

They have unlearned their own language. Foreigners, dumb.

He cut off the branches which connected him to her

Threw salt over the flowers.

It rained inside her

She gathered herself in her shell.

They, who were made of the same clay

Translated into murmuring silence

They, when they looked at each other

They saw in each other’s eyes, the abyss, the constellations

Reflecting the perfection of the fit between your beings

That love,

Why did it exist if it could not be?

In a park, no one knows where

A bench made of lunar winds

Waiting for the lovers

In another possible reality

There, where they could be.

 

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O Beijo