cinema

Lugares Comunes

“Las mejores preguntas son las que se vienen repitiendo desde los filósofos griegos. Muchas son ya lugares comunes, pero no pierden vigencia: qué, cómo, dónde, cuándo, por qué. Si en esto admitimos, también, eso de que “la meta es el camino”, como respuesta no nos sirve. Describe la tragedia de la vida, pero no la explica. Hay una misión o un mandato que quiero que cumplan. Es una misión que nadie les ha encomendado, pero que yo espero de ustedes, como maestros, se la impongan a sí mismos: despierten en sus alumnos el dolor de la lucidez. Sin límites.Sin piedad”

“La lucidez es un don y es un castigo. Está todo en la palabra: Lúcido viene de Lucifer, el Arcángel rebelde, el Demonio… Pero también se llama Lucifer el Lucero del Alba, la primera estrella, la más brillante, la última en apagarse… Lúcido viene de Lucifer y de Lucifer viene Lux, de Ferous, que quiere decir ‘el que tiene luz, el que genera luz que permite la visión interior’… El bien y el mal, todo junto. La lucidez es dolor, y el único placer que uno puede conocer, lo único que se parecerá remotamente a la alegría, será el placer de ser consciente de la propia lucidez.”

Há muitos anos assisiti este filme. Uma boa lembrança guardada.

 

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estrangeiros vivendo fora do pais, sobre a vida

Exílio

“Substantivo masculino.

O exílio (do latim exilium = banimento, degredo) é o estado de estar longe da própria casa (seja cidade ou nação) e pode ser definido como a expatriação, voluntária ou forçada de um indivíduo. Também pode-se utilizar as palavras, banimento, desterro ou degredo. Alguns autores utilizam o termo exilado no sentido de refugiado .” (wikipedia)

Guardo comigo um trabalho que fiz de artres plasticas que foi premiado na escola, uma colagem com algumas fotos de revistas e ilustrações minhas, o tema: Brasil Ame-o ou Deixe-o. Colei com recortes de revista a frase: o ultimo que sair apague a luz. Eu tinha na epoca 13 anos.

Eu não sai do meu país porque lá era bom demais. Eu sai de lá por que não via mais saida. E hoje eu vejo que os caminhos se fecharam mais ainda. Não faço parte dos que fingem não ver nada, dos que se isolam para não ver nada, dos que dão meia duzia de esmolas e acham que fazem a diferença, mas também sei quando é hora de sair de campo, pois a nem a batalha nem a guerra serão ganhas, como diz a musica: “eles ganharam e o sinal está fechado para nós”. Seria preciso uma revolução ou uma mudança construida por decadas e com muito trabalho para mudar a realidade atual, nenhuma destas opções está a disposição.

Está tudo tão errado e torto que nem valeria a pena enumerar os absurdos; O tanto de sangue derramado diariamente, as prisões arbitrarias, os direitos humanos no lixo. Hoje eu nao tenho um país para voltar. Diferente das pessoas que aqui me contam que vão para seus países visitar a familia, eu não sei o que dizer. Eu ainda tenho familia, amigos no Brasil, mas não sei se ainda tenho o Brasil pra ir. Até o nome do meu país se tornou estranhamente amargo em minha lingua. Eu não sou de lá, nem daqui, eu falo idiomas que não são meus, eu estudo uma História que não é minha.

Eu sempre gostei de viajar, conhecer outros lugares, mas sinto como se, no meio de uma viagem alguém me avisasse que era pra continuar viajando, pois eu não tinha mais lugar pra voltar. Li outro dia uma frase em um livro que ficou ecoando em minha mente:  “I always be de afuera”. Eu sinto saudade, mas de algo que nao existe mais, dificil explicar saudade em outro idioma que não o meu, mais dificil explicar o que é sentir saudade de algo que não existe.

Desde que saimos do Brasil sempre acompanho as noticias, um festival de horror, nao ficamos um dia sem noticias péssimas, fim de varios direitos, abuso de autoridades, violencia, assassinatos, perseguições politicas, censura, mas brasileiro não se cansa de ter esperança, diz o ditado, né? Depois da morte de Marielle eu confesso que cansei, hoje vi um Judiciario que nao se apressa em prender meia duzia de bandidos amigos, mas rapidinho se apressou em usar a lei na tentativa de colocar na prisao, ainda com provas questionaveis, um forte candidato de oposição. Nem é meu candidato, não é uma pessoa que eu acredite que vai salvar alguma coisa, mas enfim… eu queria ter uma democracia para chamar de minha.

Hoje eu joguei a toalha, o exilio se espalhou por toda minha alma. Me sinto repetindo a história dos meus avós, bisavós, fizeram suas vidas no Brasil. Dentro de casa falavam idiomas que não o portugues, ouviam musicas de outras terras, no final da vida diziam que estavam cansados de falar portugues e outras tantas linguas, diziam que queriam falar a lingua deles, um olhar sempre perdido em direção ao mar, esperando sei lá, o navio que os trouxe voltar numa realidade surreal e leva-los para uma terra que não existia mais. Poderia contar uma historia muito bonitinha sobre eu gostar de aventuras, mas não consigo. Eu nasci numa ditadura militar, numa familia que veio de muitos lugares, vi meu país se libertar desta ditadura e tive um breve periodo de encantamento com o Brasil, até que as coisas voltaram a ficar bem ruins. Mas, ainda sim, era a patria que eu conhecia, onde eu cresci, o idioma que eu falo, a musica que eu canto mecanicamente, o tempero que eu uso,  tem dias que eu sinto falta até das maritacas chatas, que não paravam de fazer barulho as 6 da manhã. Eu procuro pelos céus aqueles passarinhos verdes encantadoramente irritantes. Minha pátria, uma flor mirrada, meio sem graça pra muitos, de raizes frageis que me foi arrancada. Ainda sim a flor que era única pra mim, num planeta distante.

Vivendo longe, eu vejo que as coisas ai não vao melhorar, me desculpem amigos que pedem para que eu volte para ajudar no coro. Mas daqui eu vejo o tamanho do problema. Aqui eu ando sem medo de ser estuprada, de alguem tocar meu corpo sem meu consentimento, de levar um tiro, de morrer por nada, de trabalhar como louca e não ter direito nenhum. É quase como viver uma vida num manicomio e de repente quando voce sai, voce percebe que os parametros que voce esta acostumado são surreais. A realidade que voce vivia não fazia sentido, mas fizeram voce acreditar que fazia e que ia melhorar: “olha vai ter pudim de sobremesa, mas os eletrochoques vão continuar!!” Eles diziam. Rola ter pudim mas não ter eletrochoque? Ai não … Ah mas vamos mudar isso, outros dizem…Então,meus carissimos, em nenhum manicomio do mundo os loucos ditam as regras, ninguem vai mudar nada, não pelo menos nos proximos seculos. Os vampiros só vão largar nossa jugular quando secarem a ultima gota de petroleo, minerio e agua potável.

Exilio é isto: um misto de peito rasgado, de peito vazio, de sentimento que voce fugiu da briga. É viver faltando um pedaço que voce nunca mais vai encontrar pra colocar no buraco que ficou. Voce vai construir sua vida em outro lugar, vai aprender outro idioma, vai cantar outras musicas, temperar sua comida com outros temperos, voce vai sobreviver, voce vai ter muitos momentos de felicidade e alegrias, mas vai ter alguns momentos olhando o mar esperando um navio em algum horizonte improvavel.

A vida segue, porque tem que seguir, porque eu quero seguir. Quando a saudade bate coloco Chico pra tocar, Mercedes Sosa, Tom Zé e tantos outros que me lembram um sonho de America Latina livre do Imperialismo.

 

 

culinária, Gastronomia, Receitas

Kiss In Rabat

English/Portuguese

In October 12, 2103, Ibtissan Lachgar, a Moroccan feminist, human rights activist and LGBT advocate, helped to organize  the public kiss-in, to support three teenagers arrested for posting a picture of themselves kissing on Facebook. The protesters were confronted by onlookers as they kissed and chanted “Long live love”. The kissing case has sparked uproar online, with citizens protesting against what they see as creeping conservatism in the Muslim country long known for being relatively liberal and tolerant. In an interview with France 24 about the kiss-in, she said: “For us, the message got through. It was a success. There were couples and single people, and the couples were not embarrassed in public. Our message is that they are defending love, the freedom to love and kiss freely”.

No dia  12 de Outubro de 2013, Ibitissan Lachgar, uma feminista marroquina, ativista de direitos humanos e apoiadora do movimento LGTB, auxiliou a organizar o “beijo publico” (kiss-in), em apoio aos adolescentes presos por postarem fotos de beijos entre eles no Facebook. Os manifestantes foram confrontados por espectadores enquanto eles se beijavam e cantavam “Long live love”. O caso dos beijos provocou alvoroço online, com cidadãos protestando contra o que eles viam como conservadorismo rastejante, num país mulçumano há muito conhecido por sua relativa liberalidade e tolerancia. Em uma entrevista com a France 24 sobre o kiss-in, ela disse: “Para nós, a mensagem foi dada. Foi um sucesso. Haviam casais e solteiros, e os casais não ficaram envergonhados em publico. Nossa mensagem é que eles estão defendedno o amor, a liberdade de amar e beijar livremente.

ibit

In honor to the free love and Ibtissan I created this dish which is a variation of a spicy rice made by my grandmother Flora. The ingredients allude to the voluptuous senses, two mouths touching, leaving a taste of cinnamon and other spices.

Ingredients:

1/2 cup almonds
1/2 cup cashew nuts
1/2 cup macadamia
1/2 cup raisins
2 cups jasmine rice
1 medium onion cut in brunoise
250 gr of shredded chicken breast
400 ml chicken broth or vegetables
1 teaspoon ground cinnamon
1 teaspoon of clove powder
1 teaspoon of cardamom powder
1 teaspoon allspice powder
1 teaspoon ground black pepper
1 teaspoon cumin
1 star anise
1 tablespoon salt

  • in a frying pan melt 2 tablespoons of butter and place each type of nut (not the raisins) until they get a golden brown colour and release a scent of your essential oils. Reserve.
  • you can cook the chicken in the water and slice it and then take it to the oven (already shredded to get brown and lightly roasted), or you can bake it directly in the oven with the bones and then slice it. Once shredded, reserve.
  • in another pan, fry the onion in the olive oil until lightly browned. Add the cinnamon, clove, cardamom, allspice, black pepper, cumin and the star anise, stir until they release your perfume (1 minute at the most). Put the rice and fry lightly. Add the broth of vegetables or chicken, and then place the raisins. Add the salt. Cook over medium heat.
  • when the rice is almost cooked, put the nuts and the chicken, stir to mix well.

 

 

Em homenagem ao amor livre e a Ibtissam eu criei este prato que nada mais é que uma variação de uma arroz com especiarias que minha avó Flora costumava fazer. Os ingredientes aludem a volúpia dos sentidos, duas bocas se tocando, deixando um sabor de canela e especiarias.

Ingredientes:

½ xícara de amêndoas
1/2 xícara de castanha de caju
½ xícara de macadâmia
1/2 xícara de uva passa
2 xícaras de arroz de jasmim
1 cebola média cortada em brunoise
250 gr de peito de frango desfiado
400 ml de caldo de galinha ou legumes
1 colher de chá de canela em pó
1 colher de chá de cravo em pó
1 colher de chá de pó de cardamomo
1 colher de chá de pimenta da Jamaica em pó
1 colher de chá de pimenta preta moída
1 colher de chá de cominho
1 anis estrelado
1 colher de sopa de sal

 

  • numa frigideira derreta 2 colheres de manteiga e coloque cada tipo de nut, até que elas fiquem douradas e liberem um perfume de seus óleos essenciais. Reserve.
  • voce pode cozinhar o frango na agua e desfia-lo e então leva-lo ao forno (já desfiado para dourar e ficar levemente assado), ou voce pode assa-lo diretamente no forno com os ossos e então desfia-lo. Uma vez desfiado, reserve.
  • frite a cebola no azaite de oliva, até que fiquem levemente douradas. Acrescente a canela, cravo, cardamomo, pimenta jamaica, pimenta do reino, cominho eo anis estrelado, mexa até que eles liberem seu perfume(1 minuto no máximo). Coloque o arroz e frite levemente. Acrescente o caldo de legumes ou frango, e então coloque as uvas passas.Adicione o sal e mexa. Cozinhe em fogo médio
  • quando o arroz estiver quase cozido, coloque as nuts e o frango, mexa para misturar bem.

Spicy Moroccan Rice

 

Para ouvir/To listening

ativismo

Marielle Franco, presente.

Dificil explicar para alguem de fora que América do Sul é uma mera colonia dos países do hemisferio norte, que latinos não tem direitos, que se mata por nada, que vidas especialmente de mulheres, de ativistas de direitos humanos, de negros, de índios valem menos ainda. E que quem patrocina tudo isso são os grandes e ricos empresários do hemisferio norte, que a paz e a civilidade das cidades de lá custa o sangue e as riquezas de nossa terra, que não tem nada a ver com merito, trabalho duro e sim com exploração do mais forte , com roubo, com assassinato, a Europa nao seria o que é hoje sem o ouro e outras riquezas que foram roubadas da Africa e América Latina, não existe magica, conhecimento, conforto, isto custa para ser produzido. Voce paga barato uma blusa porque tem gente trabalhando como escravo na produção desde o algodão que faz sua blusa até a confecção. O nosso sistema é monstruoso, ele mata todo dia, praticamente nada do que consumimos vem sem sangue de alguém.

Nesta noite mais uma foi morta. As mortes nas favelas tem relaçao com o trafico, com a corrupção da policia, com politicos corruptos que estão vendendo o Brasil. O trafico é um dos maiores gerador de riqueza no mundo, riquezas estas que não ficam nos países produtores de drogas. Num país pobre cidadao comum e policia se corrompem para sobreviver mais um dia, a pobreza é algo feio , quem vê um filho morrer de fome, quem vê familiar morrer  num corredor  de hospital cheio de gente esperando o unico medico atender, quem não sabe o que vai ser da vida na semana seguinte só quer sobreviver, a coisa é complexa para quem é de fora e tenta simplificar sob uma ótica deformada de um mundo que nunca conheceu a barbarie.

A vida na América Latina não vale nada, na Africa também , mas falo da minha América pois foi onde nasci. Não existe mundo civilizado, primeiro mundo, paises subdesenvolvido, paises desenvolvidos, existe um mar de barbarie, vivemos numa barbarie, encharcados de sangue, quem não vê a barbarie é porque mora na Casa Grande, longe das Senzalas onde escravos apanham, sao mortos, estuprados e sofrem toda sorte de tortura, mas para quem vê o panorama de longe há sangue por toda parte. Quem tenta se impor contra os grandes , contra os que mantém nosso status de colonia, quem luta para libertar minorias, proteger meio ambiente , todos eles  morrem. Mariella se junta hoje a longa sala dos mártires latinos, que um dia acreditaram numa América Latina livre. Só esta semana um ativista que denunciou a poluição causada por um empresa norueguesa, a Hydra, foi morto, hoje professores em São Paulo apanharam e foram duramente reprimidos pela policia durante um protesto pacifico. Quem será o próximo?

“Minha vida, meus mortos
Meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minh’alma cativa…”

Quando me falam em Primeiro Mundo o que eu vejo é um lugar onde o sangue é colocado elegantemente debaixo dos tapetes, onde nasci tem tanto sangue derramado e tão pouco tapete que não conseguimos disfarçar, mas basicamente somos o mesmo grupo que vive na barbárie, pela lei do mais forte, nunca fomos civilizados. Como bem disse o personagem do filme The Barbarian Ivasions: “Contrary to belief, the 20th century wasn’t that bloody. It’s agreed that wars caused 100 million deaths. Add 10 million for the Russian gulags. The Chinese camps, we’ll never know, but say 20 million. So 130, 145 million dead. Not all that impressive. In the 16th century, the Spanish and Portuguese managed, without gas chambers or bombs, to slaughter 150 million Indians in Latin America. With axes! That’s a lot of work, sister. Even if they had church support, it was an achievement. So much so that the Dutch, English, French, and later Americans followed their lead and butchered another 50 million. 200 million dead in all! The greatest massacre in history took place right here. And not the tiniest holocaust museum. The history of mankind is a history of horrors. ”

Rio de Janeiro city legislator Marielle Franco has just been shot dead days after exposing the slaughter of young black residents of the favela Acari, in Rio, by members of the death squad of the military police after the favelas were occupied by the Brazilian army. Brought up in a favela herself, Marielle was a huge voice for black women’s rights and all minorities. Please spread the word of this new victim of the coup in Brazil.

marielle

To understand :

https://www.theguardian.com/world/2018/feb/27/brazil-military-police-crime-rio-de-janeiro-favelas

https://www.theguardian.com/world/2018/mar/15/marielle-franco-shot-dead-targeted-killing-rio

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/15/politica/1521080376_531337.html

Musica

Brazilian Songs (01)

I am translating some Brazilian songs, this is first of many others that will come 🙂

During Brazil’s military coup d’état of 1964, Chico Buarque wrote about the events which transpired and avoided censorship by using cryptic analogies and wordplay. For example, in the song “Cálice” (“Chalice”, or Jesus’ Last Supper “Cup”), he takes advantage of the homophony between the Portuguese imperative “shut your mouth” –cale-se– and “chalice” –cálice– to protest censorship against freedom of speech.

Chalice (Chico Buarque)

 

Refrain:

Father, remove from me this chalice (3x)

of wine tinted with blood!

 

How to drink this bitter drink

Inhale the pain, swallow the drudgery.

Even if the mouth is shut, the heart still remains

Silence in the city is not heard.

For what is it worth for me to be the son of the holy mother

It would be better that I were born to another

Another reality less lethal

Without so many lies and repression.

 

Refrain

 

How hard it is to wake up silenced

If I hurt myself in the quiet of night

I desire to release an inhuman scream

Which would be a way to be heard

All of this silence makes me dizzy

Dazed, I remain attentive

In the expectation of, at any moment,

To see the monster of the lake emerge

 

Refrain

 

From so much fat, the hog no longer walks

From so much use, the knife has gone dull

How hard it is, father, to open the door

With this word stuck in my throat

This Homeric drunkenness in the world

What’s the advantage of having good will?

Even if the heart is silenced, consciousness remains

Of all the drunkards in the center of the city

 

Refrain

 

Perhaps the world isn’t that small

Nor is life a consummated fact

I desire to invent my own sin

I want to die from my own poison!

And disconnect my mind from yours

May my head lose your way of thinking

I want to sniff diesel fumes

And get intoxicated until I’m forgotten!

 

 

poesia

Your heart

Portuguese/English

Eu sei o que se passa ai dentro

Vejo o sangue que escorre

Pelas laminas cravadas em teu coração

Eu vejo daqui tuas feridas

O cheiro de sua tristeza vem no vento

Tudo dói, quando não dói é vazio

Noites seguidas por mais noites

Pés cimentados  numa realidade aspera

Um quarto desarrumado, cheirando a cigarro e unidade

Da janela se vê um horizonte pintado de cinza.

Eu passo as tardes a bordar.

Se um dia quiseres  me chamar

Sei como retirar as laminas que te fazem sangrar

Da minha caixa de bordado, escolherei as mais suaves linhas

Bordarei sobre tuas feridas desenhos de outras realidades

Fecharei uma a uma de tuas feridas com cores impossíveis.

……………………………..

I know what is happening inside of you

I see the blood that flows out

Through blades placed into your heart

I can see from here your  wounds

The smell of your sorrow comes with the winds

Everything hurts, and when is not hurting is empty

Nights follow by more nights

Feet cemented in a roughened reality

A messy room, smelling cigarette and humidity

Through the window nothing but a gray horizon.

I spend my afternoons embroidering

If one day you want to call me

I know to remove the blades that make you bleed

From my embroidery box, I would choose the most tender lines

I would embroider over your wounds pictures from other realities

I would stitch one by one with impossible collours.

 

 

heart

 

arte, Malaga, mulheres, viagem

Revello de Toro

Entre os muito museus em Malaga, um em especial me surpreendeu. Félix Revello de Toro consegue pintar mulheres como poucos. Cada quadro, parecia captar a alma de cada uma de suas modelos, com um esmero impressionante. Caminhando pelas salas da casa , observando as pinturas, quase se escuta o sussurros daquelas mulheres, elas riem, sorriem, miram um horizonte, contam sobre suas vidas, choram. Voce sai de lá apaixonado por todas, pois são tão únicas. O local do museu já foi a casa- atelier de Pedro de Mena, é um dos escassos exemplos da arquitetura doméstica malaguenha, com a distribuição dos comodos em torno de um grande pátio.

O museu também conta com exposições temporárias. Não abre as segundas-feiras e aos domigos e feriados fica aberto somente das 10:00 as 14:00 hs. Para mais informações o link para o museu: Museo Revello de Toro

……………………………………………

Among the many museums in Malaga, one in particular surprised me. Félix Revello de Toro manages to paint like few others the women. Each painting seemed to capture the soul of each of his models with impressive care. Walking through the rooms of the house, observing the paintings, one can almost hear the whispers of those women, they laugh, smile, look at a horizon, tell about their lives, cry. You leave the museum in love with all those women, they are so unique. The site of the museum was once Pedro de Mena’s atelier, and it is of the few examples of Malagan’s domestic architecture that remains, with the distribution of rooms around a large patio.

The museum also has temporary exhibitions. It does not open on Mondays and on Sundays and holidays it is only open from 10:00 a.m. to 2:00 p.m. For more information the link to the museum: Museo Revello de Toro

 

 

 

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