Auckland, viagem

Auckland

“Four seasons in one day
Lying in the depths of your imagination
Worlds above and worlds below
The sun shines on the black clouds hanging over the domain…”

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auck2

noite auck

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outono

 

auckporto

 

auckarvore

 

aukgrafite

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poesia

Praieira

Estou extasiada com esta poesia, como boa filha de Iemanjá, está poesia descreve minha alma de uma maneira tão completa.

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

quando-eu-morrer-voltarei

Mon Bistro, Receitas, receitas&memories

Muffin Billie Holiday

Quando a filha com as bochechas mais macias e deliciosas pra apertar, pede bolinho de chocolate a gente faz né? Não tem como dizer não. Eu prefiro as receitas em com medidas em gramas e mililitros, porém todo meu equipamento de cozinha, incluindo a balança, ainda estão no porto de Auckland, esperando para serem liberadas. Mais pra frente devo trocar todas estas medidas no blog para facilitar quem quer repetir as receitas em casa.

Da série: ainda vou ter um restaurante cujo menu será só com nomes de mulheres fantásticas.

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Ingredientes:

  • 2 xícaras de farinha
  • 1 xícara de chocolate em gotas (ou picado)
  • 1 xícara de açúcar
  • 1/2 xícara de cacau
  • 1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
  • 1 ovo
  • 1 colher (chá) de baunilha
  • 1 xícara de iogurte
  • 1/2 xícara de leite
  • 1/2 xícara de óleo

 

 

 

Modo de preparo:

Pré aqueça o forno enquanto prepara a receita.

Num bowl misture 3/4 xícara de gotas de chocolate, açúcar, cacau em pó e bicarbonato numa tigela. Em outro bowl misture o ovo, baunilha, iogurte, leite e óleo. Junte o conteúdo dos dois bowls e bata por 2 minutos em velocidade média até ficar homogêneo.

Coloque a massa nas forminhas, até 3/4 da altura, coloque as gotas de chocolate restante nas forminhas por cima da massa.

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Leve ao forno por 20 minutos (200°C), e espere esfriar para desenformar.

Com um café ou com um chá fica ótimo, e acompanhado com chutney de manga fica exóticamente delicioso. Voilá.

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Para ouvir:

 

poesia, sobre a vida

Sobre ouriços e solidão

das verdades doídas da vida

voce veio sozinho,

voce vai partir sozinho

neste meio tempo entre chegar e partir

embora rodeado de gente

voce estará quase sempre por sua conta.

voce só percebe isto quando dá merda,

as gentes-miragens-amigonas despararecem

e voce está sozinho no seu quarto.

isto te faz forte

as vezes amargo

e com certeza esperto

pra nao cair tao facilmente no conto da parceria, trabalho em grupo e qualquer outro engodo que tentem te enfiar.

Os ouriços sao criaturas marinhas e solitárias

precisam dos seus espinhos para se proteger

mas há quem consiga segura-los na mão,

Poucos percebem a delicadeza por debaixo do exoesqueleto

As almas comuns não veem mais que espinhos.

Mas , nós ouriços, pedimos veementemente

Não finjam interesse nos nossos espinhos,

Não finjam se importar se eles incomodam

Não nos tirem do mar para nos observar morrer lentamente.

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feminismo

“Ah mas nem todos” e o mito do diferente

Cheguei num ponto que cansei para sempre de explicar o óbvio para quem está numa situação privilegiada, e não vê a opressão que até mesmo simples habitos causam. Fico triste em parte, mas o cansaço venceu, estou jogando a toalha como dizem. Eu percebi que não posso caminhar o caminho dos outros.

Foi a duras penas que eu aprendi como funcionava a opressão para negros, para LGTBs. Eu cresci num ambiente privilegiado, eu mulher branca, classe média alta, heterossexual, passei mais de 20 anos da minha vida sem nem imaginar o que passava ali do outro lado do muro. Não fazia nada de mal, mas não fazia nada para melhorar a situação dos outros…ou seja, quem não faz parte da solução, faz parte do que? Sim, eu era parte do problema, minha indiferença era parte do problema e não uma parte insignificante ,era uma das partes mais cruéis. Eu, que um dia, me achei boa pessoa….

Tive que passar anos trabalhando como voluntária numa favela para ver que os tons de cinza por lá tem muitas gradações. Há um universo de pessoas distintas com sonhos, anseios, crenças, lutas dentro de uma favela. Voce se surpreende quando descobre que, nem todos esperam o branco salvador da patria, que aquelas pessoas só querem trampar, ter uma vida decente e ficar em paz, ninguem tá ligando pro branco salvador, tirem esta idéia ridicula do imaginário de voces.  Tive que ver nos olhos de amigos gays queridos o medo de andar com seus amados de mãos dadas, algo tão natural para mim. O Brasil esta entre os países que mais matam homossexuais, até um encontro casual marcado em sites de relacionamento pode matar. Já pensou viver nesta matrix?

E, é por isso, que hoje vejo que, só entendemos o outro lado se estivermos realmente empenhados em desenvolver a empatia, se formos atrás de informação e o mais importante, temos que de alguma forma sofrer uma experiencia que nos doa, que a exclusão nos doa na carne. Com raras exceção, só entendemos a dor quando a sentimos.

Hoje eu percebo que apesar da minha vida não ser perfeita, eu nunca tive que passar por situações adversas pela cor da minha pele, orientação sexual ou classe social, só por isto já estou no lucro. Mas tive que passar muita merda por ser mulher. Por isto em algum nivel fica mais facil entender estas outras opressões. Mas foi uma longa estrada, um caminho que ninguém pode trilhar por voce, um caminho no qual voce se compromete a sempre caminhar e aprender, ler muito, ouvir muito (mais que falar) o que o outro tem a dizer, sem julgar pelas suas lentes (sua vida não é a do outro), temos que jogar fora verdades que não servem, não tem arrego, é pauleira todo dia.

Como é o feminismo o que esta mais proximo, já que sou eu quem sofro diretamente todas as merdas causadas pelo machismo, é obvio que é nele que eu mais batalho. E gente, como é dificil explicar coisas tão óbvias. Como é cansativo argumentar com homens que já começam o discurso “nem todos são assim, não pode generalizar”. Já pensou quando a Alemanha nazista perdeu a guerra e teve que assinar varios acordos com os países vencedores, entre estes acordos teve ressarcir em dinheiro vários grupos/nações? Nem todos alemães eram nazistas, nem todos queriam aquela guerra, nem todos odiavam judeus, nem todos…mas a nação toda teve que pagar pois não dava pra separ todos os grupos que faziam parte do “nem todos”. Então, sim eu entendo que nem todo homem vai passar a mão na minha bunda no trem, que nem todo homem vai me estuprar se eu beber mais do que devo, quem nem todo homem vai fazer piada machista e ignorar minha presença, e assim por diante. Mas é fato que num onibus eu vou ter medo de um homem, que se eu estiver sozinha numa rua a noite e ver um homem na minha direção, eu vou sentir medo, que se me incluirem num grupo de wahtsapp só de homens eu vou esperar piadas machistas e babacas…nem todos, mas boa parte. Então, antes de dizer “nem todos”, tenta imaginar toda merda que uma mulher já passou na vida por conta de homens escrotos, pensa bem e vê se este seu “nem todos” será realmente tão util quanto: poxa que chato, o que eu posso fazer para melhorar isto, me sinto mal por viver num mundo onde metade da população vai se foder por ter nascido mulher. Consegui ser clara?

Fica dificil para mim acreditar que, uma pessoa que começa com o discurso:  “nem todos, eu sou diferente, não vamos generalizar,” vai realmente fazer uma análise profunda do seu próprio comportamento, bem como se mexer para lutar uma luta que não é dele. “Tem muito homem babaca, mas eu sou legal”, dai deixa quieto piadas machistas em grupos de whatsapp, deixa quieto quando vê uma colega no trabalho ser assediada, deixa a coimpanheira cuidar de toda tarefa de casa (afinal ela parece gostar, ou se vira sozinha ou se me pedir eu faço algo).

calma homis

Como toda caminhada , os primeiros passos sao os mais dificeis, sair da inércia é dificil. Mas não precisamos colocar grandes objetivos, coisas simples como dar um toque no amigo que não é legal falar daquela maneira da colega de trabalho, que na sua frente ele nao vai tratar mulher como uma “coisa”, aprender a cozinhar pratos simples e dividir as tarefas de casa sem ser solicitado. Alias gente, aprender a fazer sua própria comida sem depender de um outro adulto é uma conquista que deveria ser alcançada por todos na adolescencia, indenpendente do sexo. Limpar a própria casa também. Dizer para o garçom quando vem dar a degustação do vinho, colocar um pouco na taça da mulher que esta com vc (sim, nós queremos degustar o vinho que vamos tomar com voces, nao precisamos do selo de aprovação de vinhos feito por voces). Quando voce se sentar no trem, onibus, não abra suas pernas de modo que nós tenhamos que nos encolher no banco ao lado, ocupem o seus espaços, não o nosso. Cansa cuidar de voces quando estão doentes e quando nós adoencemos temos que depender de amigas, maes, tias, outras mulheres ou mesmo nos virar sozinhas, isto não é parceria, isto é filhadaputagem. Homens, voces não imaginam o tanto de merda que uma mulher passa na vida, além das proprias merdas que é a vida adulta neste mundo cão e capitalista. Muitas de nós sempre parecem estar com raiva, querendo briga, mas é que cansa ser agredida de maneiras diferentes todo santo dia por toda vida.

A maioria de minhas amigas é hoje um muro de lamentações, sozinhas, exaustas, sem ninguem além de outras mulheres para escutar suas queixas. Se elas estão ai de pé , é em grande parte por conta de outras mulheres, de uma rede de apoio de mulheres. Já cheguei ouvir desabafo e dar ombro pra chorar à mulher desconhecidas que começaram a falar comigo em onibus, museus, na rua. As mulheres estão em pedaços. Nao faz muito tempo num museu uma mulher, daquelas inglesas discreta que mal dizem bom dia e jamais falaria da vida pessoal, começou a contar como era dificil cudiar de duas crianças, que estava exausta, ai quando percebi os olhos dela se encheram de lagrimas, como doeu aquilo. “Ah mas nem todos”, nem todos, mas a maioria. Se acham isto ruim, mexam-se homens, mudem esta realidade. Assumam sua parcela em ser parte do problema e sejam parte da solução

Da minha parte, cansei de explicar o óbvio para assumir que não sou eu quem explica mal, há uma possibilidade de não haver interesse em aprender, em ver o outro. Ficar repetindo “nem todos” é bem mais facil que tomar uma atitude. Quem quer vai lá e faz.

Sou uma mulher cansada. Enquanto voces continuarem repetindo “nem todos” e cuzarem os braços, sou eu, a mae de voces, a filha, a vizinha, todas mulher no mundo que estão se fodendo, não esperem minha admiração, paciencia ou qualquer solidariedade por quem esta ajudando a por peso (ainda que como um corpo inerte que nao faz coisas coisas malvadonas) na bota que me esmaga ok? Só atentem para o fato de que se “nem todos” fazem do mundo este lugar horrivel, todos nós estamos vivendo neste lugar horrível.

E se voce chegou até aqui, sugiro este video.

 

Gastronomia, Musica

Purê de Abóbora com Gengibre

Conta uma lenda indígena que de foi de dentro de uma abóbora saiu todo o mar que conhecemos, uma estória que contarei mais tarde. O gengibre,este ingrediente picante, insinuante,suculento, quase como um carinho de gato, que as vezes machuca mas é tão delicioso. O gengibre é considerado afrodisíaco , o kama Sutra o descreve com efeito de despertar a energia sexual. Nada mais interessante que unir o sexo e o mar e servi-los a mesa.

Ingredientes:

750 gr de abóbora cozida e amassada (eu uso garfo ou fuet para amassar)

80 gr de ricota (tenha um pouco a mais se precisar melhorar a cosnsistencia do purê)

1/2 xícara de cebolinha picada (e mais um pouco para enfeitar se voce desejar)

1 colher de sopa  de gengibre em pó

sal e pimenta branca moida na hora

Modo de preparo:

A abóbora pode ser cozida tanto em agua fervente como no forno (no forno ela também fica macia e perde menos nutrientes, mas  atenção para não queima-la , senão fica um sabor residual levemente amargo).

Amasse os pedaços de abóbora com um garfo ou fuet, acrescente o gengibre, a cebolinha, o sal e a piementa. Misture bem, acerte os temperos se necessário. E é isto, simples e delicioso.

Na foto, está acompanhando hamburguer de lentilhas e salada. Estou desenvolvendo um menu vegano/vegetariano. Os hamburguer aindam estão em teste para ficar com uma consistencia mais adequada, assim que desenvolver a receita , compartilho com voces.

pure de abobora

Sugestão de musica para cozinhar:

L’amour c’est la mort
qui ouvre la porte
je vois, que tu sors
avec le sourire
L’amour c’est une voile
pleine d´étoiles
il faut, que tu ailles
chercher les yeux gris
partout…

 

contos

Un Petit Conte de Boutons

Postuguese/English

As vezes por descuido , uma blusa levemente desaboatoada, mostra o contorno de seios, naõ se pode ve-los, mas  com aquela suave abertura, se pode imagina-los. Assim são as casas que ficam no andar terreo e que vez por outra deixam suas janelas abertas, cortinas rendadas acariciadas pela brisa, vem e vão, mostrando a silhueta dos livros na estante, das fotos nas paredes, flores em cima de uma mesa e um cheiro de alecrim que vem da cozinha e se mistura ao perfume dos móveis antigos.

A casa dela, esta blusa desaboatoada que fazia os transeuntes sonharem. Os guias de viagens na estante de livros, as fotos na parede. Uma mulher alada que cheirava a alecrim, um ser mitólogico criado pela imaginação de quem viu apenas fragmentos que escapavam por uma fresta descuidada.

E aquelas flores cuidadosamente arrumadas no vaso de porcelana, teriam sido presentes de algum amante, ou ela as teria colhido, ou roubado de algum jardim ou é possível que as tenha conjurado, como saber? Livros em espanhol, em portugues, em frances. Como seria o movimento de seus lábios dizendo palavras de amor nestes idiomas? Mí amor, cariño, mon coeur, mon terrible enfant, que saudades de ti.

Qual tua cor predileta? Qual teu signo? Qual tua musica favorita? Com quem voce sonha? Quando voce morde uma fruta e o sumo escorre e voce ri, qual o caminho que o rio  faz pelo seu queixo , pescoço? Como é o som do seu riso? Ele que não dançava , se imaginou dançando tango com ela, imaginou seu nariz mergulhado nos cabelos dela. Ele parado na esquina, espiando a janela desabotoada, esperando o farol abrir para os pedestres.

Quando o farol abriu, ele abotoou a cortina, guardou no peito aquela miragem dos dois dançando e seguiu seu caminho, caminhando como quem baila.

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Sometimes by carelessness, a shirt slightly unbuttoned, shows the contour of the breasts, you can not see them, but with that soft opening, you can imagine them. Therefore are the houses  on the ground floor , which from time to time, leave their windows open, the lace curtains caressed by the breeze, coming and going, showing the silhouette of books on the shelf, photos on the walls, flowers on a table and a perfume of rosemary that came from the kitchen and mingled with the scent of antique furniture.

Her house, this unbuttoned shirt, that made passers-by dream. The travel guides on the bookshelf, the photos on the wall. A winged woman who had a fragrance of rosemary, a mythological being created by the imagination of those who saw only fragments that escaped through a careless gaps.

And those flowers carefully arranged in the porcelain vase, would they have been gifts of some lover, or would she have harvested them, or stolen them from some garden, or is it possible that she had conjured them, how to know? Books in Spanish, in Portuguese, in French. How would like the movement of his lips say words of love in these languages? Mí amor, cariño, mon coeur, mon terrible enfant, que saudades de ti.

What is your favorite color? What’s your sign? What’s your favorite music? Who do you dream about? When you bite a fruit and the juice flows and you laugh, what is the way the river does through your chin, neck, to your breast? How is the sound of your laughter? He, who did not dance, imagined himself dancing tango with her, imagined his nose dipped in her hair. He stood at the corner, spying out the window unbuttoned, waiting for the semaphore to open to the pedestrians.

When the semaphore opened, he buttoned the curtain, he kept the mirage of both dancing into his chest, and went on his way, walking like who dances.