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Les hommes sont-ils capables de voler?

Portuguese/English

Houve um tempo em que eu ficava chateada por que as pessoas não me viam como eu realmente era. Foi um demorado e longo aprendizado até entender que vemos o mundo, e portanto, as pessoas, atraves de nossas próprias lentes. Lentes muitas vezes míopes, quebradas, turvas. E, talvez, muitas vezes nós não somos capazes de nos enxergar com a devida clareza.

Quanto mais centrados em nós mesmo, mais turvas são nossas lentes. O que não significa de modo algum que somos pessoas más, mas sim que quanto mais focado estamos em nosso Ego, mais incapazes somos de ver o outro, o mundo a nossa volta como realmente é. E quanto mais vivemos em função do nosso Ego, mais sofremos.

Minha vida atual é um constante trabalho de desapego do Ego, do passado, das “roupas”  que não servem mais, uma busca pela simplicidade. Hoje entendo melhor porque algumas amizades que foram embora e na época me causaram grande tristeza, eram para ser assim. Eu não cabia na vida daquelas pessoas, como elas não cabiam na minha. Ótimas pessoas, enorme corações, mas muito ligadas ao Ego, não poderiamos mesmo ter seguido juntas.

Observo que o Ego nos traz muito sofrimento. A verdadeira Beleza habita na Simplicidade. O desapego e  a sensação de liberdade que o acompanha é a felicidade em sua essencia mais pura.

A vida pode ser muito boa, a vida pode ser muito simples e ainda sim, plena de felicidade.

As vezes cair num abismo pode ser o que precisamos para aprender a voar.

Pessoas continuam sem me ver como eu sou  realmente, mas também continuo a encontrar pessoas cujas lentes são claras e limpidas

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There was a time when I was upset that people did not see me as I really was. It was a long road to learn until I understood that we see the world, and therefore the people, through our own lenses. Lenses often myopic, broken, cloudy. And, perhaps, we often can not see ourselves clearly enough.

The more centered on ourselves, the more blurred our lenses used to be. Which does not mean in any way that we are bad people, but rather that the more focused we are in our Ego, the more incapable we are of seeing the other, the world around us as it really is. And the more we live centered in our Ego, the more we suffer.

My present life is a constant work of detachment from the ego, the past, the “clothes” that no longer serve, a daily search for simplicity. Today I understand better why some friends who left and at the time caused me great sadness, were supposed to be in that way. I did not fit into the lives of those people, as they did not fit in mine. Great people, huge hearts, but very attached to the Ego, we could not walk at the same path together.

Today I notice that the Ego brings us much suffering. True Beauty dwells in Simplicity. The freedom that the detachment brings  is happiness in its purest essence.

Life can be very good, life can be very simple and yet, plenty of joyful.

Sometime fall into abyss it all we need to learn to fly.

There are people who still don’t see me as I really am, but I keep meeting people whose lenses are clean and limpid.

 

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culinária, Gastronomia, pães, Receitas, receitas&memories

Pão de Forma Caseiro

Me contaram uma vez que é comum encontrar pelas ruas de Fez em Marrocos, mulheres reunidas pelas manhãs em frente as padarias. Elas levam seus pães para serem assados nos fornos e ficam lá esperando,  conversando até que os pães fiquem prontos.E então, voltavam para suas casas carregando os paes na cabeça pelas ruas coloridas da cidade. Eu achei inusitado e tão romantico que ainda existem lugares assim no mundo.

Outro dia eu queria fazer um pão de forma fofinho e não tinha leite em casa, todas as receitas que eu conhecia levavam leite. Resolvi arriscar uma nova receita. Fazer pão em casa se tornou uma de minhas terapias. Lembro do perfume de pão pela casa da minha avó e na casa de minha mãe, o pao quentinho recém saido do forno, a manteiga que derretia em cima dele, o café no meio da tarde, conversas de mulheres. Ainda sim, com esta hereança familiar, eu mesma passei muito tempo sem nunca ter feito um pão em casa. Os primeiros sairam errados, demora até pegar a mão de sovar o pão. Eu sei que hoje com as maquinas de fazer pão fica muito mais facil, mas tambem se perde o trabalho das mãos. Mas foi  por conta de uma amiga que faz pães lindos e maravilhosos, que resolvi tentar de novo.

Eu gosto de sovar o pão olhando para meu jardim, aqui o inverno está se aproximando do fim, as folhas começam a voltar para as arvores nuas, ainda venta muito e chove, mas uma ou outra flor apareceu. Alguns narcisos brotaram, assim cheios de empáfia, desprezando o frio ainda insistente, a grama esta coberta por margaridas, estas pequenas e bravas guerreiras e os passaros começaram a voltar.

Sovar o pão e colocar nele nossa energia amorosa, nossas lembranças, nossos pensamentos é algo realmente mágico. Modelar a massa e nela colcoar nosso sopro divino, dar a vida. O pão contém em si o Sagrado em suas mais variadas formas. Me desculpem os que resolveram colocar no gluten a culpa de todos os males do mundo, mas existem tantas outros alimentos mais maléficos do que um paozinho feito em casa, com ingredientes de boa procedencia.

 

Segue minha receita do pão de forma super macio

Ingredientes

  • 4 xíc de farinha de trigo
  • 1 ovo
  • 2 colheres (sopa) açucar
  • 1 1/2 colheres (sopa) de fermento seco para pão
  • 1 colher rasa (café) de sal
  • 4 colheres (sopa) manteiga e margarina (já derretida)
  • 250 ml de agua morna
Modo de Preparo
  1. Preparo da esponja: num bowl coloque a água, o fermento, o açucar e umas 3 a 4 colheres de sopa da farinha já peneirada. Aguarde uns 15 minutos até que se forme a esponja (prometo colocar a foto na próxima que fizer o pão)
  2. Acrescente a esponja a manteiga ou margarina, o ovo, o sal  e a farinha.
  3. Trabalhe a massa sovando até que deixe de ficar pegajosa e adquira uma textura macia.
  4. Coloque num bowl e deixe coberto até que dobre de tamanho.
  5. Com um rolo  trabalhe a massa formando um retangulo. Comece enrolando uma das pontas como se fosse um rocambole. Coloque numa forma para pão de forma já untada e enfarinhada. Se quiser acrescentar sementes de girassol, gergelim , aveia ou algum outro ingrediente por cima esta é a hora de colocar. Eu coloquei sementes de girassol.
  6. Deixe descansar na forma até que cresça
  7. Asse em forno já pré aquecido, a 180°C por cerca de 20 a 25 minutos.
  8.  Retire do forno e passe com um pincel um pouco de manteiga ou margarina. Espere esfriar e desenforme.

Prometo colocar mais fotos do passo a passo da próxima que fizer. Esta foi a primeira vez e era apenas uma experiência.

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Here with a Loaf of a Bread beneath the Bough
A Flask of Wine, a Book of Verse- and Thou
Beside me singing in the Wilderness-
And Wilderness is Paradise enow
(Rubaiyat of Omar Khayyam)
Para ouvir:

Musica, poesia

Donne moi la flute

Each human being is like a living flute. Delightful music is produced when the breath of divine that live inside us flows through this hollow reed. We are the musicians of our Universe. And our melodies could live forever in the memory of our beloved.

“Give me the flute and sing
For singing is a secret of existence
And the wailing of the flute remains
After the vanishing of the world

Have you taken the forest, like me
As a home, instead of palaces
So have you followed the waterfalls
And climbed the rocks

Have you bathed in fragrance
And were you dried by light
Have you drank the dawn as wine
From cups of ether?

Have you sat in the afternoon
Like me, between grab vines
And the clusters hanged
Like chandeliers of gold?

Have you taken the grass as bed
And the space as blanket
Humbled of what’s coming
Forgetting what has passed?
Give me the flute and sing

And forget the illness and the medicine
For people are lines,
Written, but by water!

(Gibran Khalil)

Musica

Candeia, Brazilian Songs (02)

Portuguese/English

Embora a musica tenha sido eternizada na voz de Cartola, o compositor dela foi Antonio Candeia Filho, popularmente conhecido como Candeia. Ele viveu uma vida curta e intensa, falecendo aos 43 anos, sendo que destes os ultimos 13 anos foram em uma cadeira de rodas. E talvez porque sua vida tenha sido tão curta muitos de seus versos são atribuidos a outros sambistas e cantores brasileiros.
Although this music has been eternalized in Cartola’s voice, this song was composed by Antonio Candeia Filho, known popularly as Candeia. He lived a short and rough life, dying suddenly at age 43, of which the last 13 years have been passed in a wheelchair. And unfortunately , because his life was so short, many of his verses are attributed to other Brazilian samba singers.

Deixe-me Ir /Let me go

Let me go, I need to wander
I’ll go around, seeking
To laugh, so as not to cry (repeat)
I want to watch the sun rise, to see the rivers’ waters flow
To hear the birds sing
I want to be born, I want to live
Let me go, I need to wander
I’ll go around, seeking
To laugh, so as not to cry
If anyone asks after me, tell them I’ll only come back after I find myself
I want to watch the sun rise, to see the rivers’ waters flow
To hear the birds sing
I want to be born, I want to live… (repeat)

poesia

Bric-à-brac

Minha vida é uma caixinha de musica, cheia de quinquilharias,

Bijouterias baratas, conchinhas minusculas

Botoes de roupas que não mais exitem

Uma coleção de pequenezas

Que ganhei, comprei, encontrei ou roubei aqui e acolá.

Onde sempre está a tocar musicas antigas.

Uma caixa de musica cheia de  gavetas e compartimentos que

Quando abertas revelam perfumes de terras distantes

De alguns mundos por mim criados e que ninguem nunca visitou

E, um bom observador,

É capaz de encontrar o compartimento secreto,

Onde guardo meu coração,

Este objeto singular, que ainda mira

Com grande espanto para o Amor.

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 My life is a little music box, full of bric-à-brac

Cheap jewelry, tiny little shells,

Buttons which belongs to a clothes that don’t exist anymore

A collection of smallness

Which  I earned, bought, found or stole here and there,

Where  is always playing old songs.

A music box full of small drawers and side compartments that

When it opened reveals  fragrances  from distant lands

And some worlds created by me that no one never even visited.

And, a careful observer,

Is capable to find a secret compartment

Where I keep my heart,

This singular object that still gazes

With a great astonishment to Love.

 

russo

 

Gastronomia, mon petit bistrô, Receitas, receitas&memories

Le Jardin de Perséphone

Minha avó Flora fazia o melhor couscous do mundo, eu me lembro que ela passava azeite de oliva em minhas maos pequenas e eu  colocava um punhado deles na mao e esfregava, era uma bacia cheia deles, era o segredo dela, passar azeite de oliva neles assim o cousocus ficava soltinho. Eu adorava brincar com aqueles grãos dourados e mágicos. Outro segredo é cozinhar os ingredientes em fogo baixo e lento. Eis aqui minha versão para este prato fabuloso da minha infancia. O couscous é uma das delícias oriunda do Norte da Africa, muito comum entre os Berberers.

My grandmother Flora used to cook the best couscous of the world, in my memories I remember that she passed  olive oil in my little hands, and I hold a handful of couscous and I rubbed my hands, it was a bowl full of couscous. This is her secrets, use olive oil to make the couscous always fluffy. I loved to play with those golden and magical grains. Another secret is to simmer the ingredients over a low heat. I created a version to this fabulous dish from my childhood. The couscous is my favourite delicacy from northern  Africa, very common between the Berbers.

Ingredientes

  • 200 gr couscous marroquino
  • 450 ml de agua
  • 3 cravos
  • 1 pau de canela
  • 2 anis estrelado
  • 5 gr de gengibre em pó
  • 10 gr de cardamomo moído
  • noz moscada
  • 5 grãos de pimenta do reino
  • 20 ml de azeite de oliva
  • 20 gr de manteiga
  • 150 gr de beterraba ralada
  • sal
  • 50 gr de nozes
  • 50 gr de amendoas
  • 50 gr de castanhas de caju
  • 100 gr de uvas passas
  • 1 colher de manteiga
  • 1 colher de chá de agua de rosas
  • Flores comestiveis
  • salsinha picada

Modo de preparo

  1. Numa frigideira coloque uma colher de sopa de manteiga e doure as nozes, as amendoas e as castanhas, até soltarem o perfume característicos de seus oleos essenciais. Reserve.
  2. Coloque numa panela a agua, os cravos, a canela em pau, o anis estrelado, o gengibre, cardamomo, noz moscada, grãos de pimenta, o azeite de oliva, a manteiga, a beterraba ralada e o sal. Aqueça até ferver.Coe e reserve.
  3. Num bowl coloque o couscous e acrescente o caldo de beterraba já coado e ainda quente, junte as uvas passas e deixe hidratar por cerca de 15 minutos.
  4. Coloque as nozes, amendoas e castanhas, misture bem. Acrescentea agua de rosas e a salsinha picada , misture bem.
  5. Enfeite com flores comestiveis.

 

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Ingredients:

  • 200 gr  couscous
  • 450 ml of water
  • 3 gloves
  • 1 stick of cinnamon
  • 2 star anise
  • 5 gr of ginger powder
  • 10 gr of ground cardamom
  • nutmeg
  • 5 grains of black pepper
  • 20 ml olive oil
  • 20 gr of butter
  • 150 gr of grated beet
  • salt
  • 50 gr of walnuts
  • 50 gr of almonds
  • 50 gr of cashew nuts
  • 100 grams of raisins
  • 1 tablespoon of butter
  • 1 teaspoon of rose water
  • Edible flowers
  • Chopped parsley

Preparation

  1.  In a frying pan melt a tablespoon of butter and cook the nuts (walnut, almonds and cashew) until you smells the scent characteristic of their essential oils. Reserve.
  2. In another pan put the water, cloves, cinnamon sticks, star anise, ginger, cardamom, nutmeg, pepper, olive oil, butter, grated beets and salt. Heat to a boil. Strain this broth and reserve.
  3. In a bowl, put the couscous and add the already cooked and still hot “beet broth”, add the grapes raisins and allow to hydrate for about 15 minutes.
  4. Put the walnuts, almonds and nuts, mix well. Add the rose water and chopped parsley and mix .
  5. Garnish with edible flowers.

Para ouvir:

 

mulheres na musica, Musica

Roza de las Rosas

Roza Eskenazi was a Greek diva who saved fellow Jews during the brutal German occupation of Greece. Roza was born to a poor Sephardic Jewish family in Istanbul and raised in Thessaloniki. Roza was discovered by a Greek tavern owner who heard her singing while working as a house cleaner. By the early 1930’s, Roza was a star performer who recorded 300 songs for Columbia records. She was the charismatic queen of rembetika, the Greek blues, and often compared to Billie Holiday.


Germany invaded Greece in 1941. Roza, then running a popular nightclub, avoided deportation because of a faked baptismal certificate. She risked her own safety by hiding Jews and resistance fighters in her own home, saving dozens from deportation to Auschwitz. Roza was arrested and imprisoned by the Germans, but was released before they found out she was Jewish. She spent the rest of the war in hiding. After the war, Roza’s career waned, but her music was rediscovered in the 1970’s, a few years before her death in Athens in 1980.