Arroz Pilav (receita armênia)

Existem muitas variações do arroz pilav. Se voces procurarem na internet vão encontrar varias maneiras de prepara-lo  a moda indiana,paquistanesa, e outros países do Oriente Médio, também na culinária francesa há uma receita de arroz pilav, porém elas variam imensamente de uma para outra. A receita que eu estou compartilhando é o arroz pilav feito segundo a culinária armênia. depois vou corrigir as medidas e colocar o que falta em gramas e ml, mas basicamente a proporção é o de 2:1 de caldo de carne para o arroz.

Ingredientes:

150 gr de manteiga (tudo isto de manteiga?? sim tudo isto, manteiga é vida!!)

2 ninhos do macarrão capelli d’angelo (aquele bem fininho)

2 xícaras de arroz branco agulhinha

4 xícaras de caldo de carne (caseiro, se for tablete de caldo de carne, dilua 2 a 3 tabletes em uma xícara de agua quente e complete com mais 3 de agua)

QB sal (no caso de usar tabletes de caldo de carne , dispense o sal)

2 colheres de sopa de pimenta síria

Modo de Preparo:

1. Numa panela, em fogo alto, derreta a manteiga, assim que ela começar a soltar um pergume de amendoas, coloque o macarrão, quebrando os ninhos  de com as mãos , de modo que fique picado grosseiramente. Mexa até que o macarrão adquira uma cor caramelo escuro

2. Coloque o arroz e mexa para misturar com o macarrão, e fritar levemente.

3. Coloque o caldo de carne quente. Eu prefiro ter caldo de carne preparado em casa do que os tabletes de caldo de carne. Particularmente acho bem mais saborosos e saudáveis. Tenho sempre no congelador varios potes de 500 ml de caldo de carne e forminhas de gelo com caldo (para preparações menores).

5. Acrescente sal a gosto (o caldo de carne feito em casa não leva sal, já os tabletes tem muito sal, neste caso dispense o sal). Acrescente a pimenta síria . Na receitra coloquei 2 colheres de sopa, mas se preferir menos pode colocar, eu gosto demais do sabor desta pimenta.

6. Deixe cozinhando em fogo alto  com a panela destampada. Leva uns 15 minutos.

O arroz pilav acompanha muito bem kibe de forno ou frito, kefte de cominho, paleta de cordeiro.

arroz pilav

 

Das teias invisíveis que nos unem

Existem algumas datas que eu respeito com devoção, os solsísticos estão entre elas. Hoje no hemisfério sul inicia-se o solstício de inverno, a noite mais longa do ano. Isto tem um significado profundo Os povos antigos esperavam o sol  nascer depois desta longa noite , o nascimento do sol significava o início de um novo ciclo, a Roda da Vida que girava. Nesta noite fogueiras eram acesas, casas eram iluminadas com tochas, velas como forma de trazer a luz de volta. Espiritualmente significa nosso mergulho nas profundezas da alma, onde somente a busca conhecimento (luz) nos guiará por esta longa noite e fará o Sol (sabedoria) brilhar novamente. O tempo em que é preciso morrer para renascer, nos fecharmos, meditarmos, silenciar para escutar.

Todos os solsticios eu sonho com minhas antepassadas. E são sonhos sempre especiais. Nesta noite, minha mãe, minha avó e outras mulheres que já se foram arrumavam uma casa, varriam o chão, colocavam lençóis nas camas, comida era preparada na cozinha, símbolos de proteção eram colocados na porta de entrada  e em árvores que ficavam em volta da casa. Então, perguntei a minha avó o que estava fazendo, ela me respondeu: estamos arrumando uma casa para voce e sua familia, no tempo certo ela estará pronta.

Eu me mudei de país há 3 semanas, estou num apartamento provisório, muito confortável, porém não é minha casa. E até agora nenhuma das casas que fomos ver nos agradou, estamos com um orçamento apertado e tentando achar o melhor custo beneficio , uma casa perto de uma escola boa para Sophia, perto de transporte publico e que seja, nao perfeita, mas confortável.

Continuaremos a busca por uma casa para morar e é bom saber que, de algum modo, teias invisiveis nos guardam e nos acolhem. Feliz solstício de inverno a todos do hemisfério sul, que nesta longa noite possamos encontrar uma luz para nos guiar e que nunca percamos a esperança que o Sol voltará a nos aquecer, ainda que a noite seja longa e fria. Que aceitemos a Escuridão como parte necessária para a  Luz, e que o inverno seja proveitoso para meditarmos , para alimentar o espirito e prepara-lo para os meses que se seguirão.

De Profundis

Portuguese/English

Deixe uma trilha para que eu te siga

Quando eu nascer de novo

Para eu voltar para casa

Sussurra teu paradeiro às conchas

Buscarei tuas pistas  de sal e vento

Quando eu nascer de novo

Eu seguirei os rastros do teu cheiro,

Minha estrada e teu caminho,

Pernas que se entrelaçam

Em encruzilhadas lascivas.

Quando eu nascer de novo

E sair da fundura para respirar

Emergirei na superfície dos teus olhos

Que são meu lar, meu farol

Que tem a cor das tempestades no mar

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Leave a trail for me to follow you

When I’m born again

Thus i can come back to home.

Whisper your whereabouts to the shells

I’ll look for your tracks of salt and wind

When I’m born again

I will follow the traces of your scent,

My road and your path

Legs that intertwine

At lascivious crossroads.

When I’m born again

And get out from profundities to breathe

I will rise on the surface of your eyes

Which are my home, my beacon

Which have the color of storms in the sea

japan
Utagawa Kuniyoshi

 

 

Arrival

Llegada

Y uno de algún modo llega
se encuentra bajando las hombreras de
su vestido
en un dormitorio extraño–
siente el otoño
que deja caer sus hojas de seda y lino
sobre sus tobillos.
el cuerpo cursi y venoso emerge
retorcido sobre sí mismo
¡como viento de invierno…!

Arrival

And yet one arrives somehow,
finds himself loosening the hooks of
her dress
in a strange bedroom—
feels the autumn
dropping its silk and linen leaves
about her ankles.
The tawdry veined body emerges
twisted upon itself
like a winter wind . . . !

poem by William Carlos Williams

nu

Au revoir

Meus olhos acompanhavam

Quando ele virou aquela esquina

E se dissolveu no ar

Não lembro ao certo que dia era

Não tenho a lembrança de fazer frio ou calor

Apenas sabia que era o tempo certo da partida

Au revoir e não volte, disse baixinho para mim mesma

Nunca te amei, conclui.

Tua presença viscosa e sufocante.

Conviviamos.

Nunca foste minha criação, não te construí

Um amontoado de partes costuradas ou pregadas por outras pessoas.

Naquele dia virou a esquina um Eu que não era meu, que não era eu

Lufadas de ventos enchiam meus pulmões.

Escutas?

São as nuvens falando, é a agua inundando o jardim,

São meus pés desnudos bailando sobre a terra.

Soy una luciernaga que arde en el fuego de las estrellas

Mon coer est une boîte a musique

Sou feita de um sortilégio antigo

Não posso ser lida

Apenas  imaginada.

 

tarsila
Tarsila do Amaral, Figura Só

Lehmeferen

Esta receita me foi ensinada na Argentina, num curso de comida armênia, mas ela vem de muito mais longe. Segundo a senhora que ensinou, este prato é típico entre os armênios que se refugiaram na Síria após o genocidio armênio. Alguns deles foram para a Argentina depois de alguns anos , fugindo novamente de guerras. Inicialmente o prato era feito com carne de cordeiro na Síria, mas na Argentina se substituiu por carne de vaca. Um prato simples,absolutamente delicioso,  que percorreu muitas terras e nos foi trazido por refugiados. Não estou certa quanto ao nome correto em arabe, o curso era em espanhol e o nome que consta na apostila é este. Se alguém souber mais sobre o prato eu agradeço.

É um prato simples e absolutamente delicioso.

Ingredientes:

4 beringelas

2 cebolas grandes

2 pimentoes vermelhos

3 abobrinhas

3 tomates

700 gr de carne picada (se for moida faz-se pequenas bolinhas depois de temperar)

sal, pimenta do reino, pimenta síria, cravo em pó, gengibre em pó.

suco de limão

azeite

2 xicaras de agua (pode substiruir por 2 xic de caldo de carne feito em casa)

Modo de preparo

Cortar todas as verduras em cubos de 1 cm, misturar numa travessa , temperar com sal, pimenta do reino, pimenta siria, gengibre em pó, pimenta síria.

Numa vasilha temperar a carne a parte com os mesmos temperos, se optar por carne moida, tempere primeiro e depois faça bolinhas do tamanho de uma noz.

Distribua a carne por entre as verduras, regue com azeite e a agua (ou caldo de carne feito em casa).

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Leve ao forno em fogo alto em com 10 minutos baixar para fogo médio até dourar os legumes(eles devem ficar macios mas não se desfazer) e cozinhar a carne. Dica: coloque o tomate depois quando o fogo já estiver médio (ele desidrata mais rapido).  De vez em quando abra o forno e misture os legumes e a carne, e se for o caso regue com um pouco mais de água. A carne irá cozinhar no suco dos legumes. Um pouco antes de terminar o cozimento regue com suco de 1 limão.

Acompanha muito bem um arroz com amendoas !!

Coloquei duas fotos uma foi feita com a carne moida em bolinhas a outra (ele já pronto) com carne picada. As duas opções ficam boas desde que esteja bem temperado.

lehmeferen