Au revoir

Meus olhos acompanhavam

Quando ele virou aquela esquina

E se dissolveu no ar

Não lembro ao certo que dia era

Não tenho a lembrança de fazer frio ou calor

Apenas sabia que era o tempo certo da partida

Au revoir e não volte, disse baixinho para mim mesma

Nunca te amei, conclui.

Tua presença viscosa e sufocante.

Conviviamos.

Nunca foste minha criação, não te construí

Um amontoado de partes costuradas ou pregadas por outras pessoas.

Naquele dia virou a esquina um Eu que não era meu, que não era eu

Lufadas de ventos enchiam meus pulmões.

Escutas?

São as nuvens falando, é a agua inundando o jardim,

São meus pés desnudos bailando sobre a terra.

Soy una luciernaga que arde en el fuego de las estrellas

Mon coer est une boîte a musique

Sou feita de um sortilégio antigo

Não posso ser lida

Apenas  imaginada.

 

tarsila
Tarsila do Amaral, Figura Só

Lehmeferen

Esta receita me foi ensinada na Argentina, num curso de comida armênia, mas ela vem de muito mais longe. Segundo a senhora que ensinou, este prato é típico entre os armênios que se refugiaram na Síria após o genocidio armênio. Alguns deles foram para a Argentina depois de alguns anos , fugindo novamente de guerras. Inicialmente o prato era feito com carne de cordeiro na Síria, mas na Argentina se substituiu por carne de vaca. Um prato simples,absolutamente delicioso,  que percorreu muitas terras e nos foi trazido por refugiados. Não estou certa quanto ao nome correto em arabe, o curso era em espanhol e o nome que consta na apostila é este. Se alguém souber mais sobre o prato eu agradeço.

É um prato simples e absolutamente delicioso.

Ingredientes:

4 beringelas

2 cebolas grandes

2 pimentoes vermelhos

3 abobrinhas

3 tomates

700 gr de carne picada (se for moida faz-se pequenas bolinhas depois de temperar)

sal, pimenta do reino, pimenta síria, cravo em pó, gengibre em pó.

suco de limão

azeite

2 xicaras de agua (pode substiruir por 2 xic de caldo de carne feito em casa)

Modo de preparo

Cortar todas as verduras em cubos de 1 cm, misturar numa travessa , temperar com sal, pimenta do reino, pimenta siria, gengibre em pó, pimenta síria.

Numa vasilha temperar a carne a parte com os mesmos temperos, se optar por carne moida, tempere primeiro e depois faça bolinhas do tamanho de uma noz.

Distribua a carne por entre as verduras, regue com azeite e a agua (ou caldo de carne feito em casa).

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Leve ao forno em fogo alto em com 10 minutos baixar para fogo médio até dourar os legumes(eles devem ficar macios mas não se desfazer) e cozinhar a carne. Dica: coloque o tomate depois quando o fogo já estiver médio (ele desidrata mais rapido).  De vez em quando abra o forno e misture os legumes e a carne, e se for o caso regue com um pouco mais de água. A carne irá cozinhar no suco dos legumes. Um pouco antes de terminar o cozimento regue com suco de 1 limão.

Acompanha muito bem um arroz com amendoas !!

Coloquei duas fotos uma foi feita com a carne moida em bolinhas a outra (ele já pronto) com carne picada. As duas opções ficam boas desde que esteja bem temperado.

lehmeferen

 

Entering The Garden

É muito facil me perder quando mil coisas caem no meu dia-a-dia. Não sei lidar com dias atarefados onde não há espaço para contemplação. A maternidade me tomou um tempo precioso, o tempo que eu tinha para meditar, para não pensar e descansar a mente, foi usado para cuidar de Sophia. Não é exatamento ruim, isto faz parte da maternidade, é só uma fase, as crianças crescem, a demanda será outra. Mas é uma loucura até que passe. E, eu não sou exatamente a melhor pessoa para organizar um tempo cheio de tarefas e uma vida cheia de sonhos.

Porém, esta exaustão que vem se acumulando me pede para cuidar do meu jardim. Não há mais espaços para “small talk”, para pessoas monopolizadoras do meu tempo e atenção mas que pouco acrescentam. Urge ficar mais comigo , limpar minha casa interior, revolver a terra de meu jardim, retirar as ervas daninhas. É a hora de pacificar a mente e me desfazer do que não tem mais utilidade. Me desfazer de toda bagagem para poder viajar para uma nova casa.

Passeio por entre móveis que logo mais não serão meus, escolho roupas para doar, roupas que não fazem mais sentido vestir, abro caixas de coisas eaquecidas, me alegro com suas memórias e as deixo ir. Logo mais deixarei para tras muitos amigos, muitas paisagens e lugares queridos. Não sei o que me espera, mas vou em paz.

Hoje acordei as 3 da manhã. Durante muito tempo me incomodei com este acordar no meio da noite, uns me diziam ser mau agouro. Descobri há pouco tempo que é neste horário que monges budistas acordam e fazem suas orações/meditações. Hoje acordei as 3:00 A.M e não fiquei mais irritada, nem chateada, pensei um pouco nas coisas que tinha para fazer e pela primeira vez em muito tempo, retirei de cima da lista de tarefas a angustia e preocupação. As tarefas ainda precisam ser feitas, e serão.

Levantei, bebi água sentindo seu gosto, sentindo sua textura, li emails atrasados, achei artigos que precisava ler, cobri com o lençol minha pequena Sophia, fiz alongamento e meditei ao som de mantras tibetanos por quase uma hora. Vi o céu azul marinho alaranjar. A Paz aos poucos vai preenchendo minha mente.

É bom entrar no meu jardim novamente. Eu quase tinha esquecido como ele é repleto de Beleza , Paz e Liberdade.

“Come to the garden in spring.

There is light and wine
And sweethearts
In the pomegranate blossoms.

If you do not come,
These do not matter.

If you do come,
These do not matter.”

– Mevlana Rumi

Outonal

Chegou este outono

Com seus ventos cantoralantes

Cantando nostalgias, saudades, encontros

A ponta do teu nariz gelado em minha nuca.

Tempo dos ultimos preparativos antes de nos fecharmos em nossas conchas quando o inverno chegar.

E se apressem, ainda há tempo, mas ele é pouco.

Ainda é possivel declarar seu amor

Rasgar o peito e transbordar toda paixão

Trançar com desejos aguados

Um manto para o bem amado

Ainda há tempo para fazer um ninho

Um ninho para este amor sépia

Este amor antigo, guardado

Que cheira a lavanda.

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And this autumn cames

With its hummed winds

Singing nostalgy, longing, meetings

The tip of your cold nose on my back.

Time for the last preparations before we retreat ourselves into our shells for when the winter comes.

And hurry up, there is still time, but it is short

It is still possible to declare your love

Rip your chest and overflow all passion

Braiding with watery desires

Braiding with watery desires

A cloak for the beloved

There’s still time to make a nest

A nest for this sepia love

This ancient love, stored love

That smells like lavender.

Photo by Julia Pelish Photography

Pequenina poesia

Existe uma parte cá dentro

Onde neva dia e noite

Uma parte muito bem escondida

 Onde dançamos abraçados

Qual dois bailarinos dentro daqueles globos

Que quando seguramos com as mãos e mexemos

Fazem nevar neste mundo a parte.

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There is a part inside of me

Where it snows day and night

A very well hidden part

 Where we dance embraced

As a couple of dancers inside those globes

That when we hold with our hands and move

It makes to snow in this world apart

 

Baunilha (“Xanath”) , a lenda da flor escondida

Os astecas já conheciam a baunilha, ela era consumida juntamente com o chocolate, e era uma bebida destinada aos nobres e aos guerreiros. Eles não a cultivavam, ela era fornecida pelos totonacas, povo que habitou a região costeira da Peninsula do Golfo do México. Há varias lendas sobre a baunilha, todas elas centradas na figura de uma princesa, em uma um deus se apaixonou por ela e por não ser correspondido se vingou a transformando em uma flor ( a flor cuja vagem é a baunilha), e uma outra que eu gosto mais que vou contar a voces.

Conta-se que um rei totonaca teve uma filha de inigualável beleza e sua mãe a colocou a serviço da deusa Tonacayohua, a deusa da colheita e das sementes. A moça, chamada Tzacopontziza, era tão bela que ganhou também do nome de  estrela da manhã.

Um dia saindo do templo para buscar animais que ofereceria a deusa, apareceu em seu caminho o jovem Zkatan-oxga. Eles se enamoraram. Ele já havia visto  Tonacayohua antes e deste então, era apaixonado por ela. Sabendo que  seria degolado por estar apaixonado pela estrela da manhã, ele a levou atráves do caminho da montanha.

Porém , pouco tinham andando, um monstro que soltava fogo apareceu no caminho e os fez retroceder, de modo que, acabaram sendo encontrados pelos sacerdores do templo. Estes furiosos com a fuga do casal degolaram aos dois , depositando seus corpos em oferenda a deusa mas jogando seus corações num barranco.

Todas as plantas no local onde foram jogados os corações dos amantes morreram, muitos imaginaram ser uma maldição pelo que havia ocorrido aos jovens. Porém, pouco depois começou a crescer um arbusto que, de maneira milagrosa em pouco tempo alcançou um tamanho de muitos palmos e ficou coberto de folhagem.

Una vez que o arbusto chegou ao seu tamanho final, ao seu lado começou a brotar uma orquídea trepadeira, a qual foi envolvendo o tronco da árvore, dando a impressão de ser os braços delicados de uma mulher que suavimente abraçava os troncos, parecia protegida a sombra da arvore, tal qual uma namorada repousando no peito de seu amado, continuou crescendo enchendo-se de formosas flores.

Estes brotos prodigiosos chamaram a atenção do povo, que juntamente com os sacerdotes concluiram que o sangue dos jovens havia sido transformado no arbusto e na orquídea, asombrando-se todavia mais quando as flores que haviam nascido neste lugar ao amadurecerem desprendia um delicioso e penetrante aroma .

A orquídea foi declarada sagrada, convertendo-se em objeto de culto e constituindo-se como oferenda divina, do sangue da princesa nasceu a baunilha que em totonaco é chamada  “Xanath” (flor escondida) e em azteca “Tlilxóchitl” (flor negra).

COMO FAZER ESSÊNCIA DE BAUNILHA EM CASA

A essência de baunilha comprada em mercados não possui nada da baunilha sabiam? É um amontoado de  substâncias químicas , muitas pouco saudáveis. Fazer essência de baunilha em casa é bem fácil e fica muito mais saborosa.  Seguem os ingredientes e modo de preparo:

Ingredientes:

  • 3  a 4 favos de baunilha
  • vodka de boa qualidade ou alguma outra bebida coma lto teor alcoolico (eu prefiro vodka)

Modo de preparo

Corte as fava nosentido do longo eixo, de modo que a parte interna deixe a mostra uma geleia que exite no interiro delas. Não retire, apenas deixe aberto os favos.

vanillabean

Depois coloque numa garrafa ou pote esterilizado que ficara hermeticamente fechado após ser enchido com a bebida alcóolica. Guarde num local seco e com pouca luz. Eventualmente balance a garrafa para homogenizar o liquido. Em dois meses voce terá sua essencia de baunilha. Não retire os favos de dentro da garrafa até que a essencia acabe.

essencia de bauilha