Hanami

O significado da flor da cerejeira (Sakura), considerada a flor-símbolo do Japão provém de lendas e crenças. Sakura é uma modificação do nome sakuya, proveniente da princesa Kono-hana-sakuya-hime, a qual os japoneses veneravam no topo do Monte Fuji. Acredita-se que a princesa tenha caído dos céus sobre uma cerejeira.  A cerejeira também era associada ao samurai cuja vida era tão efêmera quanto à da flor.

Hanami é o festival  das cerejeiras. Onde se comemora sua floração, onde se lembra sobre a efemeridade de tudo, momentos,  pessoas, ate mesmo a brevidade da vida. As flores são o símbolo da impermanência.

As cerejeiras simplesmente caem. Confiantes no momento de renascer um dia.Suas pétalas, seu perfume delicado, viajam com os ventos, sem medo. As flores sabem que este mundo é impermanemte. É como o reflexo da lua na água. Tudo um dia será devastado pelos ventos da mudança.

A lição das flores de cerejeiras é mostrar que  temos  o presente, nada além dele. As flores não empalidecem, nem murcham antes do tempo, por medo de que um dia irão perecer.  O apego traz sofrimento.

A humanidade não aprendeu ainda a  lidar com a impermanencia. Temos necessidade de viver no passado, ou no futuro, precisamos possuir  pessoas, momentos precisam ser eternos e imutáveis para sentirmo-nos seguros. A verdade é que não  podemos possuir o passado, nem futuro, nem pessoas, e sofremos pelo que não podemos reter em nossas vidas.

Então comecei a refletir sobre tudo isso, desnudar minha alma de suas mascaras, para entender de que forma e  porque  o apego traz sofrimento em minha vida. Quais são as situações, pessoas, sem as quais eu acredito não poder ficar. Porque o “possuir” é uma ilusão, no fundo todos  sabemos disto e esta é a razão de todo sofrimento.  Ainda que trancafiado no subconsciente, existe o medo de perda, ainda que não o admitamos para ninguém.

Já sofri por medo de perder pessoas, medo de sair de uma situação confortável, ate mesmo por medo do desconhecido, me apeguei, mais de uma vez, a  pessoas que me fizeram muito infeliz. E por quê?

O apego nos faz cegos, nos traz a dor, faz com que vivamos num mundo ilusório. Ao passo que, o desapego nos conduz a plenitude da vida, nos leva a campos onde a liberdade cavalga soberana, infinita. Nossas almas são como flores tenras à mercê dos ventos do Destino. E é somente quando nos despimos de tudo, é que nossa alma pode voar com toda sua graça. Neste estado de nudez espiritual descerraremos nossos olhos e poderemos ver o Divino que permeia todas as coisas.

Hoje eu convidei minha alma para caminhar sob o sol sem suas máscaras, a fazer do desapego uma prática diária. Entregar meus dias com  confiança nas mãos do Criador, nada pode me se tirado, porque nada me pertence. Escolho a estrada que irei trilhar, caminho por ela, mas ela não me pertence. O que impede você de fazer o mesmo?

Lembremo-nos da impermanência todos os dias, para nos auxiliar a um despertar de  uma vida mais lúcida e feliz.

Um comentário sobre “Hanami

  1. as cores
    sempre as cores que te embriagam
    não sei porquê
    imagino o teu olhar
    muito para além das cores
    como se nelas fizesses um furo
    à procura da verdadeira cor.

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