Prazeres que trazem felicidade aguda

andar na chuva

pure de batata que minha vó fazia

assistir um filme que toque minha alma e me faça chorar

abraçar  meu cachorro de montão

apertar a bochecha do meu amor

cheiro e vento de tempestade

ver fotos da minha infancia

acordar com o barulhinho das ondas do mar

ver os quadros de Chagall com seus personagens voadores

comer brigadeiro na panela

cheiro de cebola fritando no azeite de oliva

filme de Fellini

dia de sol

dia de chuva

dia com neblina

o dia em que toquei(escondido) a escultura ‘”a Onda” de Camille Claudel

rir com os amigos

olhar para as nuvens e imaginar formas

o cheiro do cafe que minha mãe fazia

ir nas peças de teatro que minha irmã fazia

peças de Tchecov

livro de Clarice Lispector

azul Frida Kahlo

poesia de Vinicius de Moraes

poesia de Maiakovski

poesia de Baudelaire

aos 6 anos sonhar que seria a primeira astronauta mulher a ir para Lua

dançar

musica bossa nova para cozinhar

musica classica para estudar

ópera para sonhar

rock para trabalhar

cantar quando ninguem está ouvindo

cinema europeu

passear na pinacoteca

rabanada que meu pai faz no Natal

sonhar

conversar com as estrelas

rezar

caminhar por entre arvores

comer caqui doce, melancia gelada e abacate com bastante açucar e limão

ver Amelie Poulain mil vezes e me emocionar todas as vezes

ler Memorias Postumas de Bras Cubas

ler Nelson Rodrigues

sentir o perfume das flores  dama da noite

ter um gato para passear entre meus livros

uma casa cheia de amigos

uma casa com flores na janela

uma casa onde vento e sol sejam visitas diarias

uma casa onde a única regra seja o Amor

usar alecrim para temperar comidinhas para meu amor

amar, amar sempre, até a última gota

ter saudades dos que estão longe

dormir depois do almoço

caminhar

noites de lua cheia

observar a Natureza

açucar cristal

ouvir musica por horas olhando para o teto

fazer origami

encapar livros

estourar plastico bolha

passear pelo centro antigo de São Paulo

andar de mãos dadas com meu amor

montanhas: olharpara elas, olhar de cima delas, olhar por horas.

5 comentários sobre “Prazeres que trazem felicidade aguda

  1. não te esqueceste ?

    dos pequeninos primeiros passos de uma criança
    do seu primeiro sorriso
    do parlar que ninguém entende senão eles?

    de gostar só por gostar
    da capacidade que nos faz feliz de dar, de amar
    de um olhar limpo e límpido sem fronteiras.

    de não seres gente pequena
    de não seres rica e só teres dinheiro
    da capacidade de entenderes as coisas
    de seres tão bela por dentro
    de conseguires dançar com as palavras
    de não teres limites para seres apenas e só tu mesma.

    de poderes transmitir a outros tanta beleza que consegues ver e sentir dentro de ti e à tua volta

    este comentário continua um dia destes.

    prometo.

    Deus, como eu gostava de , um dia, poder conversar contigo até as palavras não fazerem mais sentido do que um gesto ou um olhar.

  2. conforme prometido, só mais um bocadinho, não posso chamar continuação, mas é quase como se fosse.

    não te esqueceste?

    daquele curto pedacinho que serpenteia entre a alvorada e a manhã, em que todos os sonhos, para além de serem permitidos são obrigatórios

    daquela gota de chuva, primeira ou última, escorrendo sozinha no vidro da janela traçando arabescos que nunca conseguiremos copiar e de onde não conseguimos desviar o olhar

    do ruído do trovão que mesmo sem queremos nos dá uma dimensão irreal

    daquela música celta que de repente nos entra devagarinho nos ouvidos e provoca um sorriso triste e tão agradável

    do dedo molhado na boca tentando adivinhar a direcção do vento como se isso tivesse qualquer importância cósmica

    da mão cheia de nada que se enche de ternura ao passar na cara de alguém que sofre

    de conseguirmos apesar de tudo ter um pouco de compreensão para aqueles que sabemos nunca irmos compreender

    dos loucos que nos fazem profecias onde põem tudo o que têm, o seu coração

    dos seixos que atiramos à água parada contando os saltos que dão

    daquela luz que vislumbramos muito por acaso e tão raramente nos olhos de certas pessoas

    da calma do mar a seguir a uma tempestade da qual chegámos a ter medo

    do medo vencido

    da esperança reencontrada

    dos muros caídos

    das pessoas libertas

    e da felicidade de poder ser feliz crónicamente

    Um beijo do Ulisses cuja felicidade aguda é poder responder (atabalhoada e insuficientemente) às coisas que tu consegues criar.

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