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Como me tornei louco

 

Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.

E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.

Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”

Assim me tornei louco.

Gibran Khalil

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2 thoughts on “Como me tornei louco”

  1. porquê este texto? o que te fascinou nele? já revolvi a minha cabeça e não encontro, na sensibilidade a que setou habituado que tenhas, uma razão.
    a loucura é a manifestação da verdade? da ausência de máscaras?
    seremos os verdadeiros, todos loucos’
    não definitivamente não seu o porquê deste texto, e adorava saber

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  2. Tout à fait d’accord avec vous FernandaW, il faut savourer le bonheur au présent. Je vous trouve très courageuse de visiter ainsi les malades en phase terminale, je vous admire.

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