Uma menina e o Nunca

Foi só quando perdi minha mãe e minha avó que eu compreendi em toda a extensão e profundidade a palavra NUNCA.

Passamos os dias a dizer nunca mais vou fazer isso, falar aquilo, ou mesmo nunca mais quero olhar na cara de fulano. A verdade é que a palavra nunca, é bem mais profunda. Ela traz consigo um punhado de dor, muitas vezes misturado a saudade, outras vezes a uma sensação de incapacidade de mudarmos algo que já não poderá mais ser mudado. As vezes só sentimento de nostalgia, cuja a imensidão só sabe quem conheceu o Nunca face a face.

O Nunca é a certeza que o tempo não voltará. O Tempo, este tesouro sem preço, que desperdiçamos quase todos os dias. Quando o Nunca chega o Tempo acaba.

Quando eu era pequena gostava de encher minhas mãos com areia da praia, para depois, ver e sentir os grãos de areia escorrendo por entre meus dedos. Quando as mãos ficam vazias de areia, elas se enchem do Nunca.

Quando o Nunca voltar a me visitar, que ele encontre alguém que amou alem do que era possível amar, que chorou até secarem todas as lágrimas que eram para se chorar, que riu tanto, que o som das risadas tenha ecoado até mesmo no espaço.

E assim a menina que queria comer um pedaço de nuvem se tornou amiga do Nunca.

7 comentários sobre “Uma menina e o Nunca

  1. Ah… entre o belo sentante da mulher do Dali e o pequeno veleiro ali ao longe, eu nunca escolheria… a mulher do Dali – afinal, o cara era louco, e louco você sabe…

    Minha Vida, o Nunca tem o seu punhado de Dor, mas para aqueles que sabem que ele anda de mãos dadas com o Sempre, ele traz também um punhado de Amor (sim, adoro rimas paupérrimas). A sua mão cheia de Nunca, estava Sempre pronta para coisas novas: se a areia não saísse de lá, você teria outro Nunca: Nunca nada de Novo. O Nunca-mais-sua-Vó vem junto com o Sempre-você-mais-adulta-no-melhor-sentido-da-palavra; o Nunca-mais-sua-mãe puxa o Sempre-você-se-lembrará-do-que-ela-dizia e vai se esforçar para ser uma pessoa melhor por causa disso, por exemplo. Eu sei que esses antagonismos que ofereço são pobres e, na verdade, nenhum que eu fornecer irá refletir a(s) sua(s) Verdade(s). Só quem pode mesmo fazer isso, você sabe muito bem quem é😉.

    A Destruição é algo necessário, para que venha o Novo. Não tenho pressa para ser destruído, nem para destruir tudo, ou parte, mas, a Destruição é inevitável. Há um pequeno pé de samambaia (ou algo parecido), crescendo num vão entre dois ladrilhos, no lado de fora da janela do nosso banheiro. Você poderia ver isso apenas como um sinal de umidade daquele canto insólito. Eu vejo como um pequeno lembrete de que tudo isto aqui, um dia será tomado de volta. Como diria a música da Siouxsie: all your cities lies in dust.

    Chega – pseudo-filosofia movida a Pringles não leva ninguém a lugar algum.

  2. é tarde qunado uma médica bonita nos diz: poie meu rapaz (com 56 anos) você entro na reta fimal.

    e, boquiabertos, nós pensamos, e o resto que ainda me falta fazer? áí é tarde.

  3. também é tarde se o Nunca não nos chega a bater à porta, fica no Talvez para entrar e, sente sempre que não de estar Presente
    Nunca é não enfrenar as situações.
    o Nunca não exite (ler j:p: Sartre)

  4. Ah. Isso, claro, depende das suas crenças. Se você acredita que é só isso aqui, daí morreu e acabou, então sou forçado a concordar.

    Não vou fazer jus ao Sartre que você mandou, mas segue uma citação do personagem Gandalf, Senhor dos Anéis, quando todas as hordas de Mordor (=evil, caso você não tenha visto ou lido) estão prestes a derrubar os portões em Minas Tirith, e o pequeno hobbit Peregrin Tûk ou Pippin, lhe pergunta, and I quote:

    “PIPPIN: I didn’t think it would end this way.
    GANDALF: End? No, the journey doesn’t end here. Death is just another path, one that we all must take. The grey rain-curtain of this world rolls back, and all turns to silver glass, and then you see it.
    PIPPIN: What? Gandalf? See what?
    GANDALF: White shores, and beyond, a far green country under a swift sunrise.
    PIPPIN: Well, that isn’t so bad.
    GANDALF: No. No, it isn’t.”

    Assim como a maioria dos humanos, eu não sei o que vem do outro lado. Mas eu quero acreditar que a morte não é um fim. Talvez uma lembrança de que não podemos ficr parados aqui, neste lugar, e que precisamos – teremos de – nos mover, para algum outro lugar.

    Já me disseram antes que eu falo da morte de formal um tanto quanto banal, e com uma certa inconseqüência. Me disseram também que eu irei entender melhor disso quando perder alguém próximo, como talvez os meus pais, que ainda são vivos. Talvez estejam certos. Talvez não, o tempo dirá.

    Enfim, quero dizer que o que você *acredita* seja igreja, Gandalf ou Mestre Yoda, é importante. E dado que, você pode concordar ou não comigo, o mais importante é qualidade do que quantidade, então não importa QUANTAS coisas você irá fazer uo deixar de fazer, mas sim COMO você irá fazer as coisas para as quais ainda der tempo.

    Já pulou de para-quedas? Caso não, o que você tem a perder?🙂

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