DECADENCE AVEC ELEGANCE ? Para que serve “isto”?

Eles-Caetano Veloso

De quando eu era pequena guardo boas lembranças de LPs espalhados pela casa, havia LPs de minha mãe, de quando ela era mais nova. Me recordo de ouvir Rita Pavone, Françoise Hardy, Mercedes Sosa, Beatles, enfim uma riqueza de estilos, idiomas e tendências musicais. Hoje nas rádios só escutamos musicas em inglês (musicas comerciais na maioria dos casos) e na nossa língua-pátria, pagode e axé basicamente. Porque esta massificação? Por que estamos nos deixando emburrecer tão mansamente?

Cinema, bem cinema é Cinemark, com suas salas gigantes, pipocas gigantes, copo de coca-cola gigante de 1 litro, preços gigantescos também. Mas esta grandeza pára por ai, os filmes são em sua grande maioria enlatados americanos, de conteúdo pobre e final previsível, e pode ser pior: filmes dublados numa tradução com um português sofrível e interpretação medíocre. Cinema na Augusta?? O que é isso? “Lá não é lugar de gays, putas e emos? tem cinema lá??” já ouvi isto tantas vezes, que tristeza…

Mas existe vida fora do cinema americano, existem filmes lindos, delicados, que fazem a gente chorar, rir. Filmes que mostram outra realidade além da “La Land, na Gringolandia”. Paisagens diferente, já vi cenas  belíssimas do cinema iraniano, musicas tocantes em filmes sérvios, ri muito com filmes russos e poloneses, chorei em filmes italianos. Lembro de uma vez ter me emocionado demais num filme turco/grego, sobre o relacionamento de um avó e seu neto ( The touch of spice). Vi documentários sensacionais realizados na África, com sérias denuncias de exploração de minérios, pessoas, etc. Coisas que nunca havia imaginado, tudo isso eu vi em filmes não americanos. Por que o preconceito então? Por que o medo de  ir a um cinema que não fica num shopping? É só um cinema na rua, não é uma expedição pela selva amazonica.

Estamos nos tornando um povo embrutecido, mal-educado, estupido. Estamos deixando que, dirigentes (eleitos por uma maioria  de anencéfalos) nos guiem como um rebanho dócil para um futuro incerto. Estamos dando a pouquíssimas pessoas, de inteligência duvidosa, o poder de decidir o que devemos ler, ver na TV ou no cinema e ouvir nas rádios. A TV  dita como você deve ser vestir, quanto deve pesar, o que deve falar, a revista Caras dita como deve ser sua casa.  De uma maneira subliminar é embutido na sua mente o maior de todos os medos: SER DIFERENTE, PENSAR DIFERENTE OU MESMO PENSAR. Como um país que sempre exaltou a diversidade, agora luta tanto para ser uma massa uniforme?

Brasil, o país dos espertos!!! “Nóis é esperto porque num precisa de cultura, nóis num precisa lê pra ganhá dinheiro, nóis vai rebola na TV e sair na Playboy, nóis vai virá pagodeiro, nóis vai virar BBB. Nóis num gasta dinheiro cum livro, mas assina Caras. Nóis nunca foi na Sala São Paulo, porque lá é caro e só toca musica chata de véio, mais nóis paga 800 paus numa calça da Diesel, pros outrô vê que nóis é do mundinho fashion!!! Nóis acha que viaja pro exterior é ir pra Miami comprar roupa e perfume, lá nem precisa falar ingrês, as vendedora fala nossa lingua!!! Nóis compra caminhonete importada e joga latinha de refri e bituca de cigarro pela janela!! nóis tem cachorro de raça caro que faz cocô na grama do prédio ao lado, ai nóis que é esperto, sai de fininho e deixa o cocô da “fifi” no vizinho!!! Nóis reclama da Dilma, do PT, mas num lembra em que deputado votou na ultima eleição!!!! Nóis num vai ver exposição de arte porque nóis assinou pra ver o BBB 24 hs por dia, pra ter assunto com as amiga !!! A escola cara que pagamô pros nossos filhos, ah é só pra mostrar pros amigos que a gente tem grana, ninguém aqui quer filho nerd chato, que sabe tudo!! Nóis também acha que teatro só vale a pena se for comédia,porque aqueles dramas que faz nóis pensar é tudo de ruim!! Pensar dói demais!!!!”

Nóis é Brasil, andando com nossas Loui Vuitton (que não sabemos nem pronunciar corretamente) e levantando o dedinho mínimo na hora de tomar nosso licorzinho no copinho de cristal Bohemia. Nóis é Brasil, e sabemos que a felicidade mora nas pequenas coisas, no nosso caso , no nosso pequeno cérebro. Nóis é Brasil, povo eternamente mediano baixo que’e feliz com o cabresto e viseira da “Dolce Gabbana” ou qualquer outra marca (o importante é ser de marca chic),  que limita bem visão e nos faz andar sempre em linha reta!!!

Quando foi que viramos “isto”?

Eu não quero “isto” para minha vida e você? Vai ficar sentado ai no “trono de um apartamento, com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar?”

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