Pouco, bem pouco

Os primeiros aqui em Buenos Aires foram de adaptação facil. Ficamos dois meses sem nossas coisas por conta de burocracias de aduana, etc. Basicamente ficamos com um maquina de lavar roupas, geladeiras e cama de casal alugadas. De resto já tinha um fogão aqui uma mesa na cozinha com banco. Por sorte, havia trazido alguns utensílios de cozinha, toalhas, lençois, caixa de brinquedos da Sophia, coisas do Basquiat. Mas assim viemos por 2 meses, com quase nada e para dizer a verdade é de pensar: será que preciso de tudo aquilo para viver. sendo a 4° mudança de casa que faço nos ultimos cinco anos, cada vez tenho menos vontade de guardar coisas, pois dá um trabalhão danado empacotar tudo.

cada vez mais entendo o estilo cigano de viver e me identifico com ele.

Na época que chegamos havia um furor na internet, especialmente no facebook por conta da Copa contra os argentinos. Muita gente falando mal. Isto me incomoda demais nos brasieliros, parece que não fazemos parte desta linda América Latina, no Brasil todos querem parecer europeus. Somos latinos e é lindo e eu adoro ser latina.

Aqui vão meus dois cents sobre argentinos: eles são gente como qualquer outra, tem gente boa, tem gente mala. Mas no geral fomos muitissimos bem acolhisdos. dois fatos que ilustram isto:

  1. Logo na primeira semana tivemos um problemao com o cartão do Brasil ,aqui muitos lugares não funcionam com chip. Então, em muito lugares o cartão simplesmente não passou, foi horrivel. Um destes lugares foi o mercado. No dia seguinte, pela manhã, não tinhamos nada para comer, fui a um kiosko (lojas de conveniencia pequenas que tem por toda parte aqui) e comprei um pacote de bolachas , um iogurte e 2 cafes destes de maquina. E quem disse que o cartão passou?? não passou. Pois bem, a moça me deixou levar tudo sem pagar, disse que depois eu acertava. Viu que eu era estrangeira, a possibilidade de eu voltar qual era?? muito remota ne? No dia mesmo eu voltei e paguei o que devia. Mas fiquei com uma sensação muito boa de que ainda há pessoas que confiam, que tem bom coração.
  2.  O porteiro e o zelador do predio perceberam que não tinhamos quase nada de móveis. Então conseguiram duas cadeiras , uma mesa e uma Tv para que assistissimos os josgos da Copa. Na verdade detestamos futebol e vemos pouca TV. Mas me comoveu esta iniciativa deles. Foi lindo

Então, no geral não tenho queixas das pessoas daqui. São gentis, carinhosas, receptivas , te beijam e abraçam de montão, o que para mim tem sido um dificil exercício. já que não gosto muito de contato fisico com maaioria das pessoas(costumo só dar a mao rsrsrs).

Não eles não são como os brasileiros, mas se voce vai morar em outro pais esperando encontrar tudo igual de onde voce saiu, melhor avaliar suas expectativas. O mais maravilhosos de ir morar fora é travar contato com culturas diferentes. Se voce é daqueles que se incomoda com tudo diferente, não saia de casa.

Temo, Lídia, o destino. Nada é certo.
Em qualquer hora pode suceder-nos
O que nos tudo mude.

Fora do conhecido é estranho o passo
Que próprio damos. Graves numes guardam
As lindas do que é uso.

Não somos deuses; cegos, receemos,
E a parca dada vida anteponhamos
À novidade, abismo.

Ricardo Reis, in “Odes”
Heterónimo de Fernando Pessoa

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s