Ser mãe sem marido, por que temos que pagar tão alto por isto?

 Desculpem o textão minha gente, mas precisamos falar disto.

Há tempos estava querendo escrever sobre isto. Mas de verdade, não me sentia a vontade, eu tenho um marido que me dá um super suporte pra ficar em casa com minha filha, que segurou uma barra de 2 anos de depressao pós parto, e que compreendeu que eu tinha uma profissão que nao me fazia feliz, e agora tem me ajudado com cursos para que eu possa voltar a trampar em outra area. Mas como é sofrido olhar pro lado, para todas minhas amigas que estão segurando umas barras absurdas por cometerem o “pecado” de resolverem ser maes solterias ou ter se separado. E não são poucas não.

Elas são as “loucas”, as que “querem tirar todo dinheiro do ex”, as que voce deve ter receio de chamar a sua casa porque “podem roubar seu marido “(sim já escutei este tipo de “conselho”), elas são as “preguiçosas que nao querem trabalhar e sim viver de pensão” e apesar de muitas passarem o dia todo cuidando das crianças “não sabem dar educação adequada” ou “põe o primeiro que aparece em suas camas sem nem se preocupar com as crianças”. Todos estes julgamentos e muito mais horrores estão a disposição das mulheres que não tem um homem ao seu lado. Como se ter uma homem a seu lado fosse condição obrigatoria para voce ser respeitada e receber empatia como qualquer outro ser humano.

A realidade , na grande maioria das vezes, corre na contramão destes julgamentos absurdos. Não é facil arrumar um emprego tendo filhos, muitas são despedidas pois faltaram para cuidar de suas crias doentes (onde estava o pai que nao pode ajudar??), nem todo mundo tem ou pode pagar alguem para levar e buscar da escola, dar as refeições, etc. Muitas vezes a tal “pensão gorda” não paga nem o mercado do mes, enquanto muito destes “super pais” estao viajando com seus amigos e muitos sequer ligam no aniversario das crianças. Elas estão enlouquecendo sim, pois tem filhos pra criar, muitas estão sem grana, sem emprego, cuidando da casa, dos filhos e ainda tendo que lidar com todos problemas pessoais que um ser humano passa durante sua vida, elas estão enlouquecendo pois estão sozinhas, sem apoio, mas ao inves de amigos tem juizes por toda parte. E elas tem direito a namorar sim, casar de novo ou mesmo só ter uma transa e nada mais, são humanas minha gente. Humanos transam e gostam disso. Elas nao querem seu marido pra sustentar a casa delas. Elas não querem um cara que assuma o filho(a) delas, em geral minhas amigas com filhos, pensam mil vezes antes de apresentar o cara pros filhos ok? Elas nao querem um novo pai pros filhos, eles já tem um. Algumas alias nem querem relacionamento sério. E dai? São pessoas piores por isto?

Que no proximo ano possamos estar mais presente na vida destas nossas queridas amigas, que por tantas vezes seguraram barras enormes pra nós. Somos uma irmandade ou competidoras? se alguem pedir indicação de um curriculo vamos lembrar destas guerreiras primeiro, vamos levar a ideia que uma funcionaria que tem filhos pra criar, valoriza muito mais seu emprego (elas nao estao lá para divertimento e nao faltam por motivos de “aproveitar o feriadão”). Se pudermos buscar seus filhso na escola, etc, vamos fazer, por que nao? Vamos levar sopas pra quando elas estiverem doentes e ficar com seus filhos ate que se reestabeleçam, na hora de comrpar presentes, vamos comprar daquela amiga que faz aquelas bonecas de pano, etc artesanais. Vamos esta mais a disposição para escuta-las . Somos como uma familia ou o que?

Ontem eu li isto, de uma amiga , e doeu…doeu por há tempos eu acompanho o que ela passa, assim como tantas outras.

“Conversando com uma amiga sobre condição de vida, trabalho, estudo e filhos, ela me disse: quanto mais ouço sobre ter filhos, menos pretendo.
Amiga, não te julgo. Também não discordo e entendo o motivo de você pensar assim.
Ter filhos numa sociedade capitalista (e machista, obviamente) é viver pra isso.
É ter que se entregar de corpo e alma pra maternidade e esquecer da vida lá fora. Filho demanda atenção, tempo, amor, dinheiro. A maternidade perfeita que esperam e cobram da gente, é aquela na qual ficamos em casa enquanto nossos maridos trabalham para poderem sustentar a casa.
Mas, nossa, peraí… Não tenho marido! Então quer dizer que não me encaixo?
Sim. Pois é.
Mas como vou sobreviver se a sociedade não tem espaço pra mim? Se a sociedade me exclui, me apedreja, me julga, me cerca? Se sou demitida de todos os empregos por ser mãe?
Como vou conciliar tudo tendo minha sanidade mental?
Olha, eu não acho que eu sou a melhor pessoa pra escrever sobre isso, mas, eu gostaria de dizer que é foda. É muito foda.
E eu sei que o mundo tá longe de ser um lugar acolhedor.
A gente vai sobrevivendo e apanhando, porque, de um jeito ou de outro, o que nos resta a fazer se não for lutar?” (Flavia Mesquita)

sagrado-feminino

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