A asfixiante superficie

Eu vivo no fundo de um mar escuro,

Lá é sempre noite.

E meus olhos acostumaram, e veem o que exite muito além.

E embora voce encontre, vez por outra pelo chao, alguma ferida sangrando

É lá que pulsa o coração, é lá que utero cria vida

É para lá que vão descansar os que se foram, suas memórias

É de lá que saem os que ganharam vida e pulam de para-quedas para o espaço

É para lá que vão as tristezas inomináveis, mas também as alegrias infindaveis

É lá que os artistas, os poetas malditos, os loucos, os profetas dançam

Absolutamente nada é ordinário por lá.

É nesta sopa primordial que eu me adaptei a respirar, a nadar, a me fluir,

Me mesclar, me dissolver e depois voltar.

Ás vezes sou obrigada a subir a superficie,

Onde a maioria das gentes vive.

Eles falam com terror do meu mundo

Eu asfixio com tanta superficialidade que existe na superfície.

 

 

 

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