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L’oiseau dans la coquille

 

Perdido no próprio quarto como um menino perplexo

Diante dos pedaços de espelhos partidos

Ele já não podia ver sua própria imagem.

A chave do quarto havia caido num abismo.

Tudo parecia doer muito, a chuva escorria pelas janelas

A tristeza tambem escorria pelas paredes.

O frio havia congelado as lagrimas dentro dos olhos.

Um mar de lagrimas represado naqueles olhos

Seria ele capaz ainda de ver o quão raro era?

O menor gesto, ainda que gentil

Fazia com que se contraisse rapidamente para dentro de sua concha

Havia sido ferido, feridas tão profundas

que sangravam até com o toque mais suave, até com um olhar.

Isolava-se numa terrivel solidão, cobria-se de espinhos

Mas um olhar mais demorado enxergaria,

Um olhar por entre as frestas dos muros vislumbraria

Alguem espetacularmente singular, brilhante,

com um coração talvez grande demais, talvez ele tivesse amado em demasia

e por isso não encontrou lugar neste mundo de amor em conta-gotas

Me pergunto : será que um dia ele voltará a voar?

sairá ele um dia ele de seu quarto-concha?

 

 

 

 

 

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