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A Caixinha de Música

Era uma caixinha de música com um dançarina chinesa que girava quando se abria a pequenina gaveta. Era de dar corda. Assim que a música começava o quarto se cobria de cores antigas.

O céu ficava sépia. As nuvens ficavam ali paradas, sem se mover, penduradas por finos fios alaranjados. Ela veste seu chapéu mais fabuloso, com um laço de rendas cor de pérola . Lança para o alto vapores de seu perfume preferido  e espera cristalizada que as gotas caiam suaves. Ela sai para caminhar.

Casinhas de cor azul, verde e vez por outra uma vermelha rubi. Em algumas janelas pedaços de folhas contendo poesias inacabadas. Voce pode agarrar uma e termina-la ou não. Poesias pela metade tem uma misteriosa clareza.

Um casal dança por entre balões amarelados feitos de papel maché. O vento toca como um chiado de uma vitrola antiga “shhhhhhhhhh”. No jardim flores giram nas rodam gigantes velozes, espalhando petalas. Um velho louco de amor grita sua dor ,correndo atras dos passantes : o Amor me come por dentro !!. Na mercearia maçãs verde-esmeralda refletem o sol de amarelo envelhecido. O reflexo chega a cegar.

Bailarinos caminham como se dançassem. Todos nas pontas dos pés, quase sem tocar o chão. Leves, suaves, vagarosos, lentos.E de repente, tudo começa a se arrastar vagarosamente, morno, aveludado, derretido. A fotografia começa a chamuscar, consumida pelo fogo, torna-se pó.

A música pára.

É preciso dar corda na caixinha de novo.

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