Questionamentos

 

Entra ano e sai ano, algumas coisas se repetem e alguns questionamentos permanecem.

Arrumo todos armários, separo um monte de coisas para doar, me pergunto por que guardo tanta coisa inútil? Que bom poder mudar de casa tantas vezes e ter que fazer a “limpa” praticamente todo ano.

Todo ano penso em algo pra cozinhar para o Natal, mas acabo aceitando convites e vou passar na casa de alguém, será que algum dia teremos Natal em nossa casa?

Todo ano me lembro das comemorações de Chanukah (festa judaica, fui criada na religião judaica) , a festa das luzes onde acendemos uma vela por noite, simbolizando a luz que vence a escuridão, a luz que ilumina o caminho durante tempos dificeis e me lembro de uma foto tirada em 1931, uma menorá (um candelabro usado nas comemorações) com velas acesas em frente a uma janela . Da janela se vê uma bandeira nazista.

Me pergunto onde foi parar meu brinquedo predileto? Um cogumelo que se abria,era uma pequena casinha, do qual guardo apenas o  pequeno cachorro, que hoje pertence a minha filha. O pequeno cachorro é a cópia fiel do me antigo cachorro, seria uma coincidencia? Alguma criança ainda terá se divertido tanto quanto eu com aquele brinquedo? Será que o abacateiro da antiga casa de minha avó ainda dá abacates e será que alguma criança ainda pendura cordas em seus ramos para se balançar? Não gosto de pensar que talvez já não exista nem a casa nem o abacateiro, mas sim mais um prédio naquele lugar onde fui tão feliz.

Por que apesar de atéia me sinto tão em casa quando estou em monastérios ou Igrejas antigas? Qual o significado de meu sonho recorrente com uma aldeia de casas todas em pedras, com o tempo sempre nublado, frio e chuvoso onde uma mulher de olhos cor violeta me ensina a usar ervas para curar doenças? Por que sempre sonho com pessoas que vão morrer, por que elas vem se despedir de mim em meus sonhos?

Por que sempre tenho a estranha sensação de nunca ter encontrado minha veradeira casa, toda mudança é sempre uma alegria, mas assim que me acomodo os ventos me falam ao ouvidos: “não se acostume, não é aqui que voce fincará suas raízes”. Terei eu, raízes algum dia?

O que me fez ter medo de altura? Será que algum dia vou acertar a mão na receita de uns bolinhos de carne que minha avó e mãe faziam? Será que algum dia alguém inventará um perfume de dama-da-noite que caiba dentro de um frasco? Quando eu era pequena eu acreditava que o mar falava comigo, será que ele ainda me escuta?

…..

Every year, some things repeat themselves and some questions remain.

I organize all the cabinets, separate a lot of things to donate, I wonder why I keep so much useless thing? It’s great to be able to move on many times and have to do the “cleaning”  every year.

Every year I think of something to cook for Christmas, but I just accept invitations and I’ll go to someone’s house, will we ever have Christmas dinner at our house?

Every year I remember the celebrations of Chanukah (Jewish feast, I was raised in the Jewish religion), the feast of lights where we light a candle every night, symbolizing the light that overcomes the darkness, the light that illuminates the path during hard times and I remember  a photo taken in 1931, a menorah (a candlestick used in the celebrations) with candles burning in front of a window.  Through the window you can see a Nazi flag.

Wonder where my favorite toy went? A mushroom thatwhen opened, it was a small house, of which I keep only the little dog,  now  this little dog belongs to my daughter. The little dog is the faithful copy of my real old dog, would it be a coincidence? Would some child  have as much fun as I do with that toy? Does the avocado tree from my grandmother’s old house still gives avocados, and does any child still hang ropes on their branches to swing? I do not like to think that perhaps there is no house or avocado anymore, but rather a building in that place where I was so happy.

Why even atheist I feel  at home when I am in monasteries or ancient churches? What is the meaning of my recurring dream with a village of houses made all of stones, with the weather always cloudy, cold and rainy where a violet-eyed woman teaches me to use herbs to heal diseases? Why do I always dream about people who will pass away, why do they come to say goodbye to me in my dreams?

Why I always have the strange feeling of never having found my home, every change is full of joy, but as soon as I get settled the winds tell me in my ears: “do not accomodate, this is not where you put down roots.” Will I ever put down roots in some place?

What made me afraid of heights? Will I ever learn to do the recipe for some meatballs my grandmother and mother did? Will someone ever invent a night-blooming jasmine perfume that fits inside a bottle? When I was little I believed that i could talk with the sea, did he still listen to me?

Córdoba, Argentina.

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