Batata, a raíz da revolução

 

Existia um povo cujo nome era Sapallas, que na linguagem antiga queria dizer: Os Únicos Senhores. Contava-se que Viracocha estabeleceu para cada povo, um local com terras e para os Sapallas, foram destinadas as melhores, muito ricas em ouro e férteis. Seus majestosos montes nevados, suas planícies imensas, seu céu puríssimo, seu lago legendario, suas aves, suas flores, tudo enfim, fazia da terra dos sapallas, um país nada comum no mundo.

Eram muito pacificos e só viam bondade nos povos vizinhos e por isto, abandonaram armas e deixaram de maneja-las. Durante séculos viveram tempos de paz e prosperidade. Porém, ao norte das terras dos Sapallas viviam os Karis, que significava “Homens Fortes”. Em suas terras havia um monte onde, Viracocha aprisionou um genio do mal. Uma noite, a terra tremeu e o monte cuspiu fogo. Lava e cinzas se espalharam, o fogo subiu com uma árvore em chamas e quando caiu , foi matando e destruindo tudo por seu caminho. Vendo-se sem terras, os Karis  voltaram-se para as terras dos Sapallas. Como os sapallas não tinham um exército sucumbiram aos Karis ,que tomaram suas casas,terras, rebanhos de lhamas e os escravizaram. Ano após ano depois de semear, os Sapallas viam os Karis tomarem suas colheitas deixando muito pouco para eles. Foram tempos muito dificeis para os Sapallas.

Os sapallas já tinham se resignado em suportar seu miserável destino. Todavia, no meio deles vivia, um menino de 15 anos , filho dos chefes sapallas, seu nome era Choque. Ele sempre desafiava seus senhores e parecia ser o único que vivia em liberdade no meio de seu povo. Por ser de origem nobre e negar se submeter aos Karis, suas punições eram sempre as mais terríveis. Ele suportava estóicamente os mais duros castigos.

Uma destas vezes, Choque estava cheio de sangue nas costas, quase desacordado, um ancião veio lhe falar:

– Pequeno viemos manifestar em nome de toda nossa desditosa raça, que já não temos mais suportado presenciar o diario espetáculo de teus cruéis martirios

O menino se retorcendo de dor, respondeu:

– Agradeço por demonstrar pena, mas dizei-me o que posso fazer para evitar estes suplicios?

– É bem fácil, respondeu o ancião, deves obedecer a nossos amos, como nós fazemos

-Isto jamais!! Se voces estão contentes com seus destinos de escravos, eu não devo, nem posso aceitar tal sorte

-Nossos deuses nos abandonaram, replicou o ancião, e não nos resta mais nada senão aceitar nosso destino. Além disso, é melhor viver de qualquer jeito do que perecer

-Isto que voces pensam é infame e indigno de homens de uma raça ilustre como a nossa. Os deuses só abandonam aos que tem alma de escravos e nós não as temos. Por hora anuncio que seguirei como agora, desafiando impávido a ira de nosssos opressores , até morrer em minha empreitada ou conseguir que o meu sangue derramado suba até o rosto de todos voces e encha de indignação vossos espiritos. E no dia que voces se levantarem , os deuses voltarão e nos faremos dignos de reconquistar nossas terras.

Embora as palavras de Choque tenham chegados a todos seus suditos, eles estavam tão acostumados a servilidade, que continuaram resignados com o seu destino.

Mas as palavras de Choque também chegaram aos deuses, que admirados pela coragem do menino resolveram ajudar. Os deuses enviaram um condor branco.

Choque estava sentado numa rocha quando o raro animal apareceu e lhe falou:

-os deuses resolveram proteger a ti e atua raça da crueldade dos invasores. E venho aqui para dizer que não desitas de levantar o espirito de teu povo, enquanto voces estiverem dispostos a lutar por sua liberdade , os deuses estaram ao lado de voces.

-Então me ordena o que devo fazer, da minha parte estou disposto a tudo.

– continue a levantar o animo e inspirar coragem a teu povo

-eu temo que eles desistam

-em tudo pensamos, agora suba até o topo mais alto daquele monte. Ali encontrarás um pequeno monte de sementes até agora desconhecida para os homens. Quando chegar a noite, reune secretamente teu povo e ordena que quando chegue o tempo do plantio, eles a plantem no lugar dos outros produtos que tem plantado. Quando chegar o tempo da colheita entenderás a ajuda dos deuses.

E, assim , fez o pequeno Choque.

As sementes deram seus frutos, eram pequenos ramos verdes com bolinhas.

O condor novamente apareceu e disse a Choque:

– Deixe que os Karis colham tudo o que quiserem.

E assim foi feito, no tempo da colheita os Karis, como de costume, colheram tudo o que podiam, deixando quase nada para os sapallas.

O condor então ordenou que eles esperassem a noite e que fossem aos campos e escavassem a terra. Eles foram e encontraram embaixo das plantas arrancadas pelos Karis pequenos tuberculos, que quando cozidos eram muito saborosos. A colheita destes tuberculos foi farta e encheu de animo o povo sapalla.

Enquanto isto, os Karis começaram a consumir as pequenas bolinhas que eram venenosas. Os karis começaram a morrer , e os que não morreram ficaram muito debis e enfermos. Foi então que os sapallas , fortalecidos, se levantaram contra seus invasores e recuperaram suas terras.

A misteriosa semente não é outra que não a semente da batata, considerada a raíz da conquista. Na região andina são cultivados mais de 100 tipos de batatas.

papasnativas

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