amor, poesia

Tristesse

(Portuguese/English)

Gotas de água salgada guardadas nos olhos dele

A boca da amada, amarga de saudade

Mãos que anseiam bailar entreleçadas.

Mirando a mesma lua, cada qual do seu lado.

 

Todas as noites a se amar em sonhos

E, ver a memória dos corpos unidos

Se esvanecer com as primeiras luzes do amanhecer

Se mesclando às nuves roseas.

 

Um amor que existe para não ser.

E mesmo não sendo , devora os olhos

Crava suas raízes dia após dia.

Teriam sido almadiçoados pelos deuses?

 

Aquele amor adiado,

aquela hóstia imaculada

aquela alquimia, e de repente

desaprenderam seu próprio idioma.Estrangeiros, mudos.

 

Ele cortou os ramos que o conectavam a ela

Jogou sal por sobre as flores

Chovia dentro dela

Ela se recolheu em sua concha

 

Eles que eram feitos do mesmo barro

Que se traduziam em murmurante silencio

Eles, que quando se miravam

Viam nos olhos um do outro, o abismo, as constelações

Refletindo a perfeição do encaixe entre seus seres

Aquele amor ,

Por que ele existia se não podia ser?

 

Num parque, não se sabe onde

Um banco  feito de ventos lunares

Aguarda os amantes

Numa outra realidade possível

Lá, onde eles podiam ser.

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Drops of salt water in his eyes

The mouth of the beloved, bitter of longing

Hands that yearn to dance interlaced.

Looking at the same moon, each on your side.

Every night making love in dreams

And, see the memory of the united bodies

Fade away at the first light of dawn

Merging with the rose clouds.

A love that exists  to not to be.

And even being, devour the eyes

Crave your roots day after day.

Had they been cursed by the gods?

That deferred love,

That immaculate wafer

That alchemy, but suddenly

They have unlearned their own language. Foreigners, dumb.

He cut off the branches which connected him to her

Threw salt over the flowers.

It rained inside her

She gathered herself in her shell.

They, who were made of the same clay

Translated into murmuring silence

They, when they looked at each other

They saw in each other’s eyes, the abyss, the constellations

Reflecting the perfection of the fit between your beings

That love,

Why did it exist if it could not be?

In a park, no one knows where

A bench made of lunar winds

Waiting for the lovers

In another possible reality

There, where they could be.

 

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O Beijo

 

 

 

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