contos

Un Petit Conte de Boutons

Postuguese/English

As vezes por descuido , uma blusa levemente desaboatoada, mostra o contorno de seios, naõ se pode ve-los, mas  com aquela suave abertura, se pode imagina-los. Assim são as casas que ficam no andar terreo e que vez por outra deixam suas janelas abertas, cortinas rendadas acariciadas pela brisa, vem e vão, mostrando a silhueta dos livros na estante, das fotos nas paredes, flores em cima de uma mesa e um cheiro de alecrim que vem da cozinha e se mistura ao perfume dos móveis antigos.

A casa dela, esta blusa desaboatoada que fazia os transeuntes sonharem. Os guias de viagens na estante de livros, as fotos na parede. Uma mulher alada que cheirava a alecrim, um ser mitólogico criado pela imaginação de quem viu apenas fragmentos que escapavam por uma fresta descuidada.

E aquelas flores cuidadosamente arrumadas no vaso de porcelana, teriam sido presentes de algum amante, ou ela as teria colhido, ou roubado de algum jardim ou é possível que as tenha conjurado, como saber? Livros em espanhol, em portugues, em frances. Como seria o movimento de seus lábios dizendo palavras de amor nestes idiomas? Mí amor, cariño, mon coeur, mon terrible enfant, que saudades de ti.

Qual tua cor predileta? Qual teu signo? Qual tua musica favorita? Com quem voce sonha? Quando voce morde uma fruta e o sumo escorre e voce ri, qual o caminho que o rio  faz pelo seu queixo , pescoço? Como é o som do seu riso? Ele que não dançava , se imaginou dançando tango com ela, imaginou seu nariz mergulhado nos cabelos dela. Ele parado na esquina, espiando a janela desabotoada, esperando o farol abrir para os pedestres.

Quando o farol abriu, ele abotoou a cortina, guardou no peito aquela miragem dos dois dançando e seguiu seu caminho, caminhando como quem baila.

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Sometimes by carelessness, a shirt slightly unbuttoned, shows the contour of the breasts, you can not see them, but with that soft opening, you can imagine them. Therefore are the houses  on the ground floor , which from time to time, leave their windows open, the lace curtains caressed by the breeze, coming and going, showing the silhouette of books on the shelf, photos on the walls, flowers on a table and a perfume of rosemary that came from the kitchen and mingled with the scent of antique furniture.

Her house, this unbuttoned shirt, that made passers-by dream. The travel guides on the bookshelf, the photos on the wall. A winged woman who had a fragrance of rosemary, a mythological being created by the imagination of those who saw only fragments that escaped through a careless gaps.

And those flowers carefully arranged in the porcelain vase, would they have been gifts of some lover, or would she have harvested them, or stolen them from some garden, or is it possible that she had conjured them, how to know? Books in Spanish, in Portuguese, in French. How would like the movement of his lips say words of love in these languages? Mí amor, cariño, mon coeur, mon terrible enfant, que saudades de ti.

What is your favorite color? What’s your sign? What’s your favorite music? Who do you dream about? When you bite a fruit and the juice flows and you laugh, what is the way the river does through your chin, neck, to your breast? How is the sound of your laughter? He, who did not dance, imagined himself dancing tango with her, imagined his nose dipped in her hair. He stood at the corner, spying out the window unbuttoned, waiting for the semaphore to open to the pedestrians.

When the semaphore opened, he buttoned the curtain, he kept the mirage of both dancing into his chest, and went on his way, walking like who dances.

 

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