poesia

O mar

No jardim da minha casa de infância havia um parreiral cujos braços trepavam pelas vigas de madeira e criavam um teto de ramos entrelaçados. As uvas ficavam ali  penduradas como pequeninas lampadas. Quando a luz do sol passava por entre as folhagens e as uvas, adquiria um tom verde claro. Eu gostava de ficar deitada no chão vendo a luz verde claro que passava, gostava de olhar desenhos que se formavam na minha barriga e braços. Naquele quintal , enquanto a música tocava em uma vitrola antiga, eu imaginava mil realidades impossíveis.

Sozinha, eu brincava sozinha, mas aqui dentro sempre existiram estrelas nascendo e morrendo, um caleidoscópio de universos. Meu mundo aqui de dentro sempre foi tão vasto, como se o mar todo coubesse dentro do peito.  Neste oceano, as idéias rolam como as ondas, quebram umas contras as outras, dançam no mar mexido, mergulham e voltam a rolar, até que chegam na areia onde se esparramam preguiçosamente e deixam suspensas no ar pequenas gotas de água salgada carregadas de poesia.

Para me ler basta respirar o mar.

“O Mar, detá quitinho bô dixam bai….”

 

 

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