Meus perfumes prediletos

cheiro de sabonete

cheiro de roupa limpa

cheiro de cebola fritando

lar

cheiro de dama da noite abrindo

cheiro da minha pequena aninhada em meus braços

cheiro de chá de limão e mel para quando adoeço

amor

cheiro de livro sendo aberto

cheiro de chuva chegando

cheiro de bolo de chocolate assando

aconchego

cheiro de mar

cheiro de flor de pessegueiro

cheiro de leite de rosas

saudade

perfume

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Miradas e Miragens

(Portugues/English)

Possuia a mistura perigosa de

Pensar demais e sentir profundamente.

E sonhar realidade impossíveis.

Não gostava de olhar nos olhos,

Assim evitava ler pensamentos que não eram dela

Prefiria o outro oculto.

Preferia que o outro se desnudasse por sua própria vontade.

Mas mirava no fundo dos olhos os seus iguais

Os feitos do mesmo sangue, barro e chuva

Pois eram assim que eles conversavam

Mudos, sussurrantes, chuvosos.

Gostava da chuva, gostava de ver as gotas d’agua no vidro

Gostava de ver como elas escorregavam e se juntavam em um só.

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She had the dangerous mixture of

Think too much and feel deeply.

And dream impossible realities.

She did not like to look into the eyes of others,

In this way she avoided reading thoughts that not belongs to her

She would prefer the other occult.

She preferred the other undressed of his own free will.

But she looked in the eyes of her peers

Those who were made of the same blood, clay and rain

Because that’s how they spoke

Dumb, whispering, rainy.

I liked the rain, I liked to see the drops of water on the glass

I liked to see how they slipped and gathered into one

 

 

Tristesse

(Portuguese/English)

Gotas de água salgada guardadas nos olhos dele

A boca da amada, amarga de saudade

Mãos que anseiam bailar entreleçadas.

Mirando a mesma lua, cada qual do seu lado.

 

Todas as noites a se amar em sonhos

E, ver a memória dos corpos unidos

Se esvanecer com as primeiras luzes do amanhecer

Se mesclando às nuves roseas.

 

Um amor que existe para não ser.

E mesmo não sendo , devora os olhos

Crava suas raízes dia após dia.

Teriam sido almadiçoados pelos deuses?

 

Aquele amor adiado,

aquela hóstia imaculada

aquela alquimia, e de repente

desaprenderam seu próprio idioma.Estrangeiros, mudos.

 

Ele cortou os ramos que o conectavam a ela

Jogou sal por sobre as flores

Chovia dentro dela

Ela se recolheu em sua concha

 

Eles que eram feitos do mesmo barro

Que se traduziam em murmurante silencio

Eles, que quando se miravam

Viam nos olhos um do outro, o abismo, as constelações

Refletindo a perfeição do encaixe entre seus seres

Aquele amor ,

Por que ele existia se não podia ser?

 

Num parque, não se sabe onde

Um banco  feito de ventos lunares

Aguarda os amantes

Numa outra realidade possível

Lá, onde eles podiam ser.

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Drops of salt water in his eyes

The mouth of the beloved, bitter of longing

Hands that yearn to dance interlaced.

Looking at the same moon, each on your side.

Every night making love in dreams

And, see the memory of the united bodies

Fade away at the first light of dawn

Merging with the rose clouds.

A love that exists  to not to be.

And even being, devour the eyes

Crave your roots day after day.

Had they been cursed by the gods?

That deferred love,

That immaculate wafer

That alchemy, but suddenly

They have unlearned their own language. Foreigners, dumb.

He cut off the branches which connected him to her

Threw salt over the flowers.

It rained inside her

She gathered herself in her shell.

They, who were made of the same clay

Translated into murmuring silence

They, when they looked at each other

They saw in each other’s eyes, the abyss, the constellations

Reflecting the perfection of the fit between your beings

That love,

Why did it exist if it could not be?

In a park, no one knows where

A bench made of lunar winds

Waiting for the lovers

In another possible reality

There, where they could be.

 

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O Beijo

 

 

 

La Nuit Des Masques

Existem textos que me tocam de uma maneira que não saberia explicar, como um idioma desconhecido, bonito de escutar mas que eu não entendo. São como sussurros em minha mente, e ficam lá rondando, vindo de mansinho como as espumas das ondas que fazem cócegas nos pés. E um dia, sem nenhuma aviso estes textos e poesias se fazem entender. Um deles é o Louco de Gibran Khalil, o texto conta a história de uma homem que teve suas máscaras roubadas.

Qual é a máscara que voce mais usa? Qual é máscara que voce tem como mais preciosa? Por que precisa dela(s)? Conseguiria viver sem? Durante muito tempo eu confeccionei máscaras para me esconder por detrás delas. Creio que desde a infância as contruo. Minhas máscaras são meu escudo, elas sempre me protegeram do mundo lá fora, são minha concha. Não tenho uma exata lembrança de minha primeira máscara, mas tenho a impressão que ela data da primeira ferida, um golpe desferido pelos meus próprios pais. E pra cada ferida durante a vida fiz uma máscara, de modo que depois de um tempo, alguma máscara antiga servia para alguma ferida nova. Eu tinha um armário rico em máscaras e já não via quem eu era no espelho.

Seria eu : a melhor  aluna da escola, ou a pessoa calma, a pessoa compreensiva, a culta que sabia tudo de cinema, a melhor aluna da faculdade, a pessoa que não conseguia manter nenhum relacionamento duradouro, a pessoa que tinha fobia de relacionamentos, a pessoa que tinha medo de ficar sozinha?  E eram tantas e para tantas ocasiões e pessoas diferentes. Embora durante muito tempo eu acreditei necessitar destas máscaras, embora eu me sentisse mais confortável com elas, a verdade é que eu não percebia que cada máscara encerra em si, uma face cheia de espinhos. E cada vez que eu vestia uma delas eu me feria.

Chega um tempo em que as máscaras que usamos começam a nos  machucar  mais que nos proteger, chega um dia que precisamos tirar o amontoado de máscaras que cobre nossa criança já tão ferida e deixar que o sol, que o ar ajudem a secar tais feridas, senão corremos o risco destas feridas nos causarem mais danos, uma infecção que espalharia por tudo e nos mataria lentamente. Chega um tempo em que devemos nos apresentar de novo a nós mesmos, aprender a amar o que vemos, com as feridas, as imperfeições e a infinita capacidade de vir a ser o que pudermos sonhar. É um longo e nada fácil caminho de volta para o nosso verdadeiro Eu. Um caminho onde perderemos máscaras, convicções, certezas, os objetivos que tinhamos como verdadeiros , sonhos que tinhamos como nossos,  amigos e até amores. Este caminho não garante a felicidade, mas sim a liberdade.

“Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelas ruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado no telhado de uma casa gritou: “É um louco!” Olhei para cima, para vê-lo. O sol beijou pela primeira vez minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras. E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões que roubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido. (…) ” (Gibran Khalil)

delirium

A Paz

Eu escrevo para a Artemis, uma organização não governamental que defende os direitos das mulheres no Brasil, nossa missão é  fomentar, difundir, apoiar e incentivar a autonomia da mulher em cada etapa de sua vida, compreendendo que esta autonomia só é possível em uma sociedade que preconiza e respeita o direito à integridade física e psicológica, bem como acesso amplo e igualitário ao trabalho, educação, saúde, informação, conhecimento e cultura.

Segue meu texto de domingo, nao costumo publica-los aqui, mas o video foi uma das coisas mais lindas que já vi nestes ultimos tempos.

” Eu tenho uma intuição de que se um dia conseguirmos a paz entre as pessoas , que se conseguirmos co-existir com tanta diversidade e culturas que habitam nosso Planeta Azul, esta Paz virá pelas mãos de mulheres, de grupos de mulheres que dedicam suas vidas para tornar este nosso planeta melhor.

Assisti este video há alguns dias, é do movimento Women Wage Peace, são israelenses e palestinas que trabalham juntas para um futuro, onde a paz não seja apenas um sonho. A despeito de tudo o que se passa por lá, ainda há pessoas que semeam a compaixão.

O video me chorar rios. Espero que encha de flores o domingo de voces.”

pagina no Facebook : Artemis

Saravá Iemanjá

 

Salve Rainha do Mar, Salve minha mãe

É no teu reino que eu encontro meu lugar

É no teu colo marinho que eu quero me deitar

Com teu canto belo para me ninar

Me vestir com a espuma  perolada das ondas

Construir uma casa de conchas lá no fundo do mar

Eu vim de ti e a ti voltarei quando partir

Aceite minhas flores brancas, meu colar de contas azuis

Este ano eu não te farei pedidos

Só desejo entrar no teu mar

Sentir as ondas, teus braços que embalam

Ouvir teu coração, o quebrar das ondas.

Eu voltei só para te ver minha mãe.

Saravá Iemanjá.

iemanja

 

Saudade

(portuguese/english)

Ninguém sabe ao certo a origem da palavra saudade, uns dizem que vem do latim e deriva de solidão Talvez seja por isso que é possivel sentir saudade e estar rodeado de pessoas. Saudade é quando a melancolia cristaliza no peito e o coração mal consegue pulsar. É quando ficamos loucos e pensamos reconhecer no vento que murmura a voz do amado. É quando o olhar procura avidamente por qualquer pista , qualquer pedaço, qualquer rastro, qualquer migalha de lembrança que aplaque aquela sangria.

A saudade as vezes é uma dor fina, um riacho triste ,mansa, constante. As vezes nos rasga como uma tempestade. Quando a saudade se torna insuportável eu mergulho no mar, eu peço colo a Iemanjá, ali imersa, escutando as ondas quebrarem, eu choro. Eu creio que o mar contém todas as saudades do mundo.

Eu pegaria um avião e atravessaria o planeta para beijar tua boca e me ver nestes teus olhos cor de mar quando a tempestade chega. Eu que já andei por toda parte me procurando, me perdi em tantos labirintos, foi em tua mirada que me encontrei, e como narciso apaixonado ali fiquei. Eu te sonho todo o tempo. Me amas? Tenho um colar de perolas feitas de saudade e fico na janela a te esperar, a olhar para Vaghe Stelle Dell’Orsa.

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No one knows for sure the origin of the word saudade, some say that it comes from Latin and derives from word solitude Perhaps is the reason that it is possible to feel saudade and to be surrounded by people. Saudade is when melancholy crystallizes in the chest and the heart can barely beat. It is when we become crazy and think to recognize in the wind that murmurs the voice of our beloved. It is when the glance hunts eagerly for any clue, any piece, any trace, any crumb of memory that coagulate that bleeding.

Saudade is sometimes a fine pain, a sad, gentle, constant stream. Sometimes it rips us apart like a storm. When the saudade becomes unbearable I dip in the sea, I ask Iemanjá to embrace me,  immersed into the sea, listening to the waves break, I cry. I believe that the sea contains all the saudade of the world.

I would get on a plane and cross the planet to kiss your mouth and see me your eyes with the collor of the sea when the storm comes. I already walked everywhere looking for me, lost in so many labyrinths, it was in your eyes that I met myself, and as a passionate  narcissus I stayed there. I dream you all the time. Do you love me? I have a necklace of pearls made of saudade and I stand at the window waiting for you, looking at Vaghe Stelle Dell’Orsa