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Janusz Korczak,e seu ideal era a criança

Pouco conhecido no mundo ocidental, este grande homem foi um médico pediatra,educador e um grande escritor, escreveu sobre e para crianças.Muitos de seus livros foram utilizados pela Unesco na elaboração dos Direitos da Criança e Adolescente.Construi um orfanato onde viviam 150 crianças, mas em 1940 a Gestapo retirou as crianças do local para alojar-se.

As crianças foram enviadas ao gueto de Varsóvia.Apesar de lhe ser oferecido várias vezes convites para trabalhar como médico para os alemães, Janusz se nega e diz que só sairia do gueto com todas suas crianças.Recusando a fuga que lhe foi proposta, várias vezes,ligou o seu destino, voluntariamente, ao de 200 crianças em seu orfanato, acompanhando-as em sua última e derradeira estrada.Como ele disse: ” …é preciso que a minha atitude corresponda a tudo que reconheci e proclamei em toda minha vida, isto é, a fidelidade ‘a criança – ao homem.”

Sua vida foi repleta de ensinamentos .Por isso resolvi escrever sobre este médico notável, este educador sublime. Korczak sonhava com uma escola que “serviria à humanidade inteira…Os alunos não aprenderiam ai a lerem letras mortas sobre um mataborrão morto; aprenderiam como vivem as pessoas, por que vivem assim, como se pode viver de outro modo com a plenitude da alma livre…”

O velho doutor procurou incutir, atraves de seus livros, jornal feito somente para crianças, e onde somente elas poderiam escrever, no seu programa de radio em Varsóvia,o senso de responsabilidade, mas também a livre-expressão. “A criança não pensa menos, nem menos bem do que o adulto: ela pensa de modo diferente. A nossa maneira de pensar é feita de imagens deslustradas e de  sentimentos empoeirados. A criança pensa com os seus sentimentos. O intelecto do adulto não ajuda a comunicar-nos com ela ..” “Se uma criança é amarrada interiormente, não pode adaptar-se a liberdade…Em suma, é o amor que cura, a aprovação e o reconhecimento do direito de ser ela mesma.”

Uma pena que sejam dificeis de encontrar seus livros, e muitos estão em polones, mas vale a pena procurar as versões em portugues. Poderia ficar horas escrevendo sobre sua vida, seus livros. Mas deixo a voces a curiosidade de procurar  ler seus livros,  deixar que ele toque a alma de voces assim como tocou a minha quando eu ainda era adolescente. a quem possa interessar segue o link da associação Janusz Korkzak no Brasil http://www.ajkb.org.br/.

Deixo somente uma parte bem pequena do livro Cassio , o feiticeiro:

“Quem tem uma vontade forte e um desejo poderoso de servir aos homens,para estes a vida será um sonho fascinante. Não pela vara do mágico, mas a verdadeira força mágica que está em cada homem e é capaz de mudar a face do mundo.E ela o faz…”

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Kinds of fire

 

Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.

— O mundo é isso — revelou —.

 Um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.

 

fire

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Baudelaire,príncipe das nuvens…

 

“É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão. Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se. E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: “É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser”.

 Enivrez-vous

“Il faut être toujours ivre. Tout est là: c’est l’unique question. Pour ne pas sentir l’horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve. Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous. Et si quelquefois, sur les marches d’un palais, sur l’herbe verte d’un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l’ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l’étoile, à l’oiseau, à l’horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est et le vent, la vague, l’étoile, l’oiseau, l’horloge, vous répondront: “Il est l’heure de s’enivrer! Pour n’être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise.”

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O PAÍS DAS MARAVILHAS

 

 Não se entra no país das maravilhas
p
ois ele fica do lado de fora,
não do lado de dentro. Se há saídas
que dão nele, estão certamente à orla
iridescente do meu pensamento,
jamais no centro vago do meu eu.
E se me entrego às imagens do espelho
ou da água, tendo no fundo o céu,
não pensem que me apaixonei por mim.
Não: bom é ver-se no espaço diáfano
do mundo, coisa entre coisas que há
no lume do espelho, fora de si:
peixe entre peixes, pássaro entre pássaros,
                                                                                  um dia passo inteiro para lá.
                                                                                                  

   

                                                                                               Antonio Cicero

 

Grete Stern