carpe diem, sobre a vida

Meu Amor d’alfazema

Meu amor d’alfazema

De alecrim e rosmaninho

Queria fazer-te um poema

Mas perco-me no caminho


Nossa Senhora das Dores

Meu raminho d’oliveira

Eu ando cega d’amores

Não me cureis a cegueira

Nossa Senhora das Dores

Sede a minha padroeira


Entra em mim um mar gelado

Em dias que te não vejo

Sou um barco naufragado

Mesmo sem sair do Tejo


Ai de mim que ando perdida

Que ando perdida de amores

Perdida entre temores

Perdida entre as marés

Ai de mim fico perdida

Se deixas de ser quem és


Tens mãos macias de gato

Meio manso meio bravio

Olhas às vezes regato

Outras mar e outras rio



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poesia

To my true Love

I’m the wind upon your shoulder
Whispering magic words through the night
Telling you Old Secrets
Building a rainbow bridge
Between our hearts

Since the first moment I knew,
And I waited for your kiss,
Waited for the bliss
Like dreamers do

This love conjures me wings
Plays like a symphony
Smells like sympathy
Tastes like poetry



poesia

Com voces, o eterno poetinha

 

Elegia Lírica  (Vinicius de Moraes)

 

(…) A minha namorada é tão bonita, tem olhos como besourinhos do céu

 Tem olhos como estrelinhas que estão sempre balbuciando aos passarinhos…

É tão bonita! tem um cabelo fino, um corpo menino e um andar pequenino

E é a minha namorada… vai e vem como uma patativa, de repente morre de amor

Tem fala de S e dá a impressão que está entrando por uma nuvem adentro…

Meu Deus, eu queria brincar com ela, fazer comidinha, jogar nai-ou-nentes

Rir e num átimo dar um beijo nela e sair correndo

E ficar de longe espiando-lhe a zanga, meio vexado, meio sem saber o que faça…

A minha namorada é muito culta, sabe aritmética, geografia, história, contraponto

 E se eu lhe perguntar qual a cor mais bonita ela não dirá que é a roxa porém brique.

Ela faz coleção de cactos, acorda cedo vai para o trabalho

E nunca se esquece que é a menininha do poeta.

(…)

 É doce! gosta muito de mim e sabe dizer sem lágrimas:

 Vou sentir tantas saudades quando você for…

É uma nossa senhorazinha, é uma cigana, é uma coisa

Que me faz chorar na rua, dançar no quarto, ter vontade de me matar e de ser presidente da república.

É boba, ela! tudo faz, tudo sabe, é linda, ó anjo de Domremy!

Dêem-lhe uma espada, constrói um reino ; dêem-lhe uma agulha, faz um crochê

Dêem-lhe um teclado, faz uma aurora, dêem-lhe razão, faz uma briga…!

E do pobre ser que Deus lhe deu, eu, filho pródigo, poeta cheio de erros