devaneios, poesia

O ladrão de estrelas

Numa noite perfumada de estrelas ele veio. Chegou tarde, todos já dormiam, e foi silenciosamente roubando, uma a uma, as estrelas do céu. Isto aconteceu há muito tempo.

Na pressa, penso que levou também meus olhos-de-menina. Digo isso porque algumas noites são bem escuras e porque as vezes a poesia desaparece no horizonte. E, sinto quase como um arrepio, uma tristeza adentrar pelas frestas de minha alma. Então, tenho que mergulhar na minha parte mais profunda, e resgatar as memórias, a magia que aqueles olhos viram um dia.

É por isso que as vezes me calo. E me fecho. Como uma tentativa de voltar a ver as estrelas, de respirar poesia. Eu mergulho para não sufocar.


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arte, carpe diem, poesia

Aprendendo a ouvir estrelas

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…


E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido


Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

(Via lactea,Olavo Bilac)




devaneios

“Chaos”

Caos (do grego Χάος) é, segundo Hesíodo, a primeira divindade a surgir no universo, portanto o mais velho dos deuses.

A palavra caos  era usada pelos gregos significando vasto abismo ou fenda. A palavra também alude ao estado de matéria sem forma e espaço infinito que existia antes do universo ordenado, suposto por visões cosmológico-religiosas. E, finalmente, o sentido mais usual de caos: desordem, confusão.

Mas seria o caos necessariamente algo ruim?

Creio que não, o caos é apenas parte do ciclo.

Do nosso caos interno é que nascem  estrelas.