amor, carpe diem, Jennifer Tremblay, Literatura

Das listas que fazemos

No final do ano passado, na época do Natal, participei de um amigo secreto, onde não conhecia nem a pessoa para quem eu teria de dar o presente, nem a pessoa que me daria o presente me conhecia. A idéia era dar um livro, os presentes só poderiam ser livros, e junto com eles uma cartinha.

Bem, além de ganhar amigas muito sangue bom, ganhei um livro muito tocante, com uma cartinha linda 🙂

Eu estava já com minha lista enorme de livros para ler, sou a mulher das listas, e por algum motivo que me foge a razão, resolvi passar o livro na frente, ele é de capa dura, eu sou louca por livros de capa dura.

O livro , que ironia , trata de listas, listas que fazemos mas nem sempre cumprimos, listas que por vezes se perdem na bagunça do nosso dia-a-dia em que insistimos em organizar. O livro trata da amizade entre duas mulheres em meio as suas tarefas diarias, suas frustrações, sua falta de tempo, seus filhos, as coisas da casa, da vida, seus sonhos, anseios, medos e a culpa de sempre termos deixado para tras algo importante, algo esquecido mas que estava lá, em uma das listas.

“também trago no peito as marcas das minhas listas impossíveis. Também preciso parar. Abrir a porta. Pois trago no peito a memória de nossa humanidade possível. Apareça. Agora estou menos enlouquecida. Agora estou aqui, de verdade”
(A Lista, de Jennifer Tremblay)

Não estava em nenhuma de minhas listas, mas uma pessoa que nunca me conheceu  soube ler minha alma. Presentes inesperados da vida.

a lista

 

lista2

sobre a vida

Dom Quixote contra os convênios de saúde

Há tempos fiz uns exames, e constatou-se um nódulo na tireóide.Desde então, apesar de ter convenio, tenho passado por uma via crucis para liberação de exames, médicos, etc. Não há alterações no sangue,hormônios, mas o nódulo está la….para me lembrar de tudo o que eu engoli minha vida inteira sem falar nada, sem reclamar. Uma lembrança de tudo o que eu aceitei para evitar incomodar, chatear ou mesmo contrariar pessoas que eu acreditei serem importantes na minha vida.

O último exame, punção da tireóide, demorou quase 6 meses para eu conseguir uma autorização. Meu convenio CarePlus, me negou de todas as maneiras possíves a tal liberação do exame. Acabei realizado o exame pela Sul America, como dependente do meu marido. O exame é muito dolorido, é feito sem anestesia, o médico introduz uma agulha muito longa para puncionar material da tireóide para análise. Não se pode mexer o pescoço enquanto a agulha é colocada, e como meu nódulo se localiza na parte posterior da tireóide, doeu bastante e demorou um tanto mais para punção ser realizada.

Em uma semana saiu o resultado, foi inconclusivo, ou seja, na dúvida se remove a tireóide, há chances de ser maligno. Como já há histórico familiar, e também como já pesquisei, o tipo de células encontradas na biópsia, há chances consideráveis de ser maligno. De qualquer forma ainda não apareceu nada nos exames de sangue.

Iniciou-se a via crucis da cirurgia.

Depois que a carePlus me negou realizar um exame, cujo resultado foi positivo para a suspeita de uma lesão cancerosa, como posso confiar num convenio destes para fazer minha cirurgia?

Meu marido agora tem um convenio diferente, Lincx, mas já fomos informados que doenças pré-existentes tem 2 anos de carência, ou seja, não posso contar com este convenio também, mesmo sendo plano empresarial. Ao que parece este tipo de plano não poderia, por lei, ter este tipo de carência.

Os convenios do Brasil me enojam…

Me dói saber que a área de saúde virou um grande negócio. Penso que a área que eu escolhi para trabalhar, e que abraço com Amor até hoje, está repleta de mercenários,pessoas sem escrúpulos, sem honradez, pessoas sem caráter que desfilam com seus aventais brancos com pose de deuses. Que vergonha, que lástima, nós da área de saúde fomos reduzidos a funcionários de um sistema macabro, onde a sáude é vendida a preço de ouro e condena a morte aqueles que não podem pagar por ela. Como nós, que fizemos o juramento de Hipocrates, onde juramos:” exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência…”,nos rebaixamos até este ponto?

Então eu volto para minha vida, meu trabalho. Eu, que muitas vezes não cobrei de pacientes, por saber que eles não teriam jamais dinheiro para pagar o preço de minhas consultas, o fiz de coração aberto, por Amor ao próximo, por Amor a minha arte . Tendo ainda, a delicadeza de faze-lo sem que meus pacientes, que não pudessem pagar, não se sentissem diminuidos. Estaria eu tão errada assim? Num mundo onde a bárbarie cada vez mais se faz presente, devemos nos entregar a ela de maneira irracional, devemos agir como feras numa arena? Por que a delicadeza, o respeito estão cada vez mais se tornando tabus, sinonimos de fraqueza? Quando foi que a gentileza, o amor ao próximo deixaram de ser virtudes e foram tomados como defeitos a serem estirpados da alma? Não, eu definitivamente não quero fazer parte desta massa que age e pensa assim…

Não importa que a TV massifique as pessoas, as torne anestesiadas, insensíveis. Não importa que os governantes, os lideres religiosos estejam trabalhando para nos guiar para um “admirável mundo novo”, eu não irei com eles.

Não sei quanto a resolução do meu problema, mas não tenho revoltas em relação a minha doença, se ela esta comigo é para me mostrar algo. O que Deus esta tentando me mostrar com isso? Ainda não está tão claro para mim. como vou resolve-lo? ainda não sei…como dizem um leão por dia, primeiro vou a um médico, depois se precisar a mais outros tantos.

Peço ao Criador apenas que me guie até pessoas que exercem amorosamente sua profissão, e que se eu cair nas mãos de alguém que não o faça, que o meu Amor pelo trabalho de curar possa contamina-lo(a). Peço ao Criador que esta “doença” se espalhe por todos os médicos, enfermeiros,dentistas,a todos aqueles que juraram aliviar o sofrimento do próximo.Peço ao criador que coloque em meu caminho amigos pra que eu possa segurar na mão quando eu tiver medo.

Do meu lado eu prometo ao Criador,viver os dias que me cabem lutando o Bom Combate. Não deixar que a tristeza ou a melancolia tome conta dos meus dias e atrapalhem o que vim para fazer aqui, que minha vida seja um exercício constante de trazer alívio ,alegria e paz a quem me procurar. Prometo utilizar cada dia que me cabe para me tornar alguém melhor, mais útil ao meu próximo.

Esta vida é uma grande escola, onde o maior ensinamento é o Amor. Mas cada um tem a liberdade de escolher se quer ou não frequentar as aulas. alguns nunca sequer entraram nas “salas de aula”

Eu, do meu lado não pretendo perder um minuto sequer de aprendizado. Os dias nesta grande escola são preciosos e repletos de Beleza.

“E assim, seja lá como for

Vai ter fim a infinita aflição

E o mundo vai ver uma flor

Brotar do impossível chão!”


devaneios

“Chaos”

Caos (do grego Χάος) é, segundo Hesíodo, a primeira divindade a surgir no universo, portanto o mais velho dos deuses.

A palavra caos  era usada pelos gregos significando vasto abismo ou fenda. A palavra também alude ao estado de matéria sem forma e espaço infinito que existia antes do universo ordenado, suposto por visões cosmológico-religiosas. E, finalmente, o sentido mais usual de caos: desordem, confusão.

Mas seria o caos necessariamente algo ruim?

Creio que não, o caos é apenas parte do ciclo.

Do nosso caos interno é que nascem  estrelas.

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En attendant Godot

Esperando Godot, é uma peça escrita por Samuel Beckett em 1952. Esta peça faz parte do genero chamado teatro do absurdo. Na peça dois personagens sofrem todo tipo de desgraça mas não saem do lugar, pois “Godot” irá chegar a qualquer momento e acabar com o sofrimento deles.

Godot é uma mistura das palavras God e do sufixo ot (diminutivo em frances), significaria “deusinho”. Até o final da peça Godot não chega, a verdade é que ele não aparece. e os personagens terminam a peça no mesmo lugar.

O texto nos leva a refletir os motivos pelos quais, sempre culpamos algo externo por nossos erros, e que da mesma maneira, esperamos que venha de algum lugar, que não de nós mesmos, a salvação para todo sofrimento. Esperar que algum milagre nos tire os problemas é como negar o divino em nós mesmos. Pois dentro de cada um está a chave para a solução, a cura. E percorrer o caminho ate estas chaves é que nos torna melhores, mais evoluidos.

Hoje volto a cuidar do meu jardim, que há muito tempo deixei de  cultivar. Há muito trabalho a ser feito.

flores peru