poesia

Let’s call the wind

O vento que canta na beira do mar

é o vento que traz vozes de quem se foi,

de quem está longe, é vento da saudade,

é o abraço da nostalgia.

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The wind that sings by the sea

it’s the wind that brings voices of who’s gone,

of the one who is far away, it is the wind of longing,

is the embrace of nostalgia.

 

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poesia

Mon terrible enfant

Eu te amo
Longíquo
Imaginado
Platonico

Eu te amo
Pelo olhar verdejante
Pela curva do canto do teu sorriso
Pelo refúgio do teu abraço

Eu te amo
Pelas noites de conversas intemináveis
Pela paz que inunda meu coração
Pelo mar que se abre cá dentro

Eu te amo
Noturno
Marítimo
Invernal

 

 

 

poesia

O mar

No jardim da minha casa de infância havia um parreiral cujos braços trepavam pelas vigas de madeira e criavam um teto de ramos entrelaçados. As uvas ficavam ali  penduradas como pequeninas lampadas. Quando a luz do sol passava por entre as folhagens e as uvas, adquiria um tom verde claro. Eu gostava de ficar deitada no chão vendo a luz verde claro que passava, gostava de olhar desenhos que se formavam na minha barriga e braços. Naquele quintal , enquanto a música tocava em uma vitrola antiga, eu imaginava mil realidades impossíveis.

Sozinha, eu brincava sozinha, mas aqui dentro sempre existiram estrelas nascendo e morrendo, um caleidoscópio de universos. Meu mundo aqui de dentro sempre foi tão vasto, como se o mar todo coubesse dentro do peito.  Neste oceano, as idéias rolam como as ondas, quebram umas contras as outras, dançam no mar mexido, mergulham e voltam a rolar, até que chegam na areia onde se esparramam preguiçosamente e deixam suspensas no ar pequenas gotas de água salgada carregadas de poesia.

Para me ler basta respirar o mar.

“O Mar, detá quitinho bô dixam bai….”

 

 

poesia

Miro o Universo que me mira

Portugues/English

Existem noites que são como vitrais

Um amontoado de pedaçinhos de vidros coloridos

Um quebra cabeça de peças que nem sempre se encaixam

Um mar, onde imagens do subconsciente flutuam

Emergem fotos aqui e acolá,

Misturadas à paisagem do dia anterior.

Um baile de miragens

Onde bailarinos de outros mundos saltam

Trazendo consigo suas mensagens

E então, as ondas batem com força contra as rochas

Formando imagens caleidoscópicas

E, quando despertamos o silencio é tão urgente.

No silencio colhemos todas estas peças que chegaram até a areia

Até que elas façam algum sentido.

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Some nights are like stained glass

A heap of colorful glass pieces

A puzzle of pieces that do not always fit

A sea, where images of the subconscious float

Pictures emerge here and there

Mixed to the  landscape from the day before

A dance of mirages

Where dancers from other worlds jump

Bringing their messages to you.

And then, the waves hit hard against the rocks,

Forming kaleidoscopic images

And when we wake up, the silence is so urgent.

In the silence we harvest all these pieces that reached the sand

Until they make some sense.

 

andre2
Andre Chénier, Bregenz, Austria
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Le rencontre des eaux

Acendi uma vela e a cravei sobre a neve

Esperei por longas noites e muitas vidas

E cuidei para que a chama queimasse

Cantei sortilégios antigos

Conjurei deuses inventados e malditos

Até que a neve se transmutou em primavera

E voce , tal qual um rio

Fluiu até meus lábios,

Inundou minha garganta

E fiz do teu gosto em mim

Nossa eternidade.

Em tuas águas escuras eu caminho.

pes
feet

 

 

 

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Monólogo de Orfeu, by Vinicius de Moraes

Uma das mais belas poesias já escritas

Mulher mais adorada!
Agora que não estás,
deixa que rompa o meu peito em soluços
Te enrustiste em minha vida,
e cada hora que passa
É mais por que te amar
a hora derrama o seu óleo de amor em mim, amada.

E sabes de uma coisa?
Cada vez que o sofrimento vem,
essa vontade de estar perto, se longe
ou estar mais perto se perto
Que é que eu sei?
Este sentir-se fraco,
o peito extravasado
o mel correndo,
essa incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu;
Tudo isso que é bem capaz
de confundir o espírito de um homem.

Nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga,
esse contentamento, esse corpo
E me dizes essas coisas
que me dão essa força, esse orgulho de rei.

Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música.
Nunca fujas de mim.
Sem ti, sou nada.
Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada.
Orfeu menos Eurídice: coisa incompreensível!
A existência sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos.
Tu és a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo,
minha amiga mais querida!

Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura!
Quem poderia pensar que Orfeu,
Orfeu cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres –
que ele, Orfeu,
Ficasse assim rendido aos teus encantos?

Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho
que eu vou te seguindo no pensamento
e aqui me deixo rente quando voltares,
pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo

Vai tua vida, pássaro contente
Vai tua vida que estarei contigo.