poesia

Your heart

Portuguese/English

Eu sei o que se passa ai dentro

Vejo o sangue que escorre

Pelas laminas cravadas em teu coração

Eu vejo daqui tuas feridas

O cheiro de sua tristeza vem no vento

Tudo dói, quando não dói é vazio

Noites seguidas por mais noites

Pés cimentados  numa realidade aspera

Um quarto desarrumado, cheirando a cigarro e unidade

Da janela se vê um horizonte pintado de cinza.

Eu passo as tardes a bordar.

Se um dia quiseres  me chamar

Sei como retirar as laminas que te fazem sangrar

Da minha caixa de bordado, escolherei as mais suaves linhas

Bordarei sobre tuas feridas desenhos de outras realidades

Fecharei uma a uma de tuas feridas com cores impossíveis.

……………………………..

I know what is happening inside of you

I see the blood that flows out

Through blades placed into your heart

I can see from here your  wounds

The smell of your sorrow comes with the winds

Everything hurts, and when is not hurting is empty

Nights follow by more nights

Feet cemented in a roughened reality

A messy room, smelling cigarette and humidity

Through the window nothing but a gray horizon.

I spend my afternoons embroidering

If one day you want to call me

I know to remove the blades that make you bleed

From my embroidery box, I would choose the most tender lines

I would embroider over your wounds pictures from other realities

I would stitch one by one with impossible collours.

 

 

heart

 

Advertisements
poesia

Do que sou feita

 

Quando eu nasci uma parte minha ficou no mar

Razão pela qual necessito estar perto dele

Não há intenção de reaver o que deixei lá

Somente voltar a ser inteira.

 

conchas

 

 

 

poesia

Let’s call the wind

O vento que canta na beira do mar

é o vento que traz vozes de quem se foi,

de quem está longe, é vento da saudade,

é o abraço da nostalgia.

………………………………..

The wind that sings by the sea

it’s the wind that brings voices of who’s gone,

of the one who is far away, it is the wind of longing,

is the embrace of nostalgia.

 

poesia

Mon terrible enfant

Eu te amo
Longíquo
Imaginado
Platonico

Eu te amo
Pelo olhar verdejante
Pela curva do canto do teu sorriso
Pelo refúgio do teu abraço

Eu te amo
Pelas noites de conversas intemináveis
Pela paz que inunda meu coração
Pelo mar que se abre cá dentro

Eu te amo
Noturno
Marítimo
Invernal

 

 

 

poesia

O mar

No jardim da minha casa de infância havia um parreiral cujos braços trepavam pelas vigas de madeira e criavam um teto de ramos entrelaçados. As uvas ficavam ali  penduradas como pequeninas lampadas. Quando a luz do sol passava por entre as folhagens e as uvas, adquiria um tom verde claro. Eu gostava de ficar deitada no chão vendo a luz verde claro que passava, gostava de olhar desenhos que se formavam na minha barriga e braços. Naquele quintal , enquanto a música tocava em uma vitrola antiga, eu imaginava mil realidades impossíveis.

Sozinha, eu brincava sozinha, mas aqui dentro sempre existiram estrelas nascendo e morrendo, um caleidoscópio de universos. Meu mundo aqui de dentro sempre foi tão vasto, como se o mar todo coubesse dentro do peito.  Neste oceano, as idéias rolam como as ondas, quebram umas contras as outras, dançam no mar mexido, mergulham e voltam a rolar, até que chegam na areia onde se esparramam preguiçosamente e deixam suspensas no ar pequenas gotas de água salgada carregadas de poesia.

Para me ler basta respirar o mar.

“O Mar, detá quitinho bô dixam bai….”

 

 

poesia

Miro o Universo que me mira

Portugues/English

Existem noites que são como vitrais

Um amontoado de pedaçinhos de vidros coloridos

Um quebra cabeça de peças que nem sempre se encaixam

Um mar, onde imagens do subconsciente flutuam

Emergem fotos aqui e acolá,

Misturadas à paisagem do dia anterior.

Um baile de miragens

Onde bailarinos de outros mundos saltam

Trazendo consigo suas mensagens

E então, as ondas batem com força contra as rochas

Formando imagens caleidoscópicas

E, quando despertamos o silencio é tão urgente.

No silencio colhemos todas estas peças que chegaram até a areia

Até que elas façam algum sentido.

…………………………………………………………………..

Some nights are like stained glass

A heap of colorful glass pieces

A puzzle of pieces that do not always fit

A sea, where images of the subconscious float

Pictures emerge here and there

Mixed to the  landscape from the day before

A dance of mirages

Where dancers from other worlds jump

Bringing their messages to you.

And then, the waves hit hard against the rocks,

Forming kaleidoscopic images

And when we wake up, the silence is so urgent.

In the silence we harvest all these pieces that reached the sand

Until they make some sense.

 

andre2
Andre Chénier, Bregenz, Austria
poesia

Le rencontre des eaux

Acendi uma vela e a cravei sobre a neve

Esperei por longas noites e muitas vidas

E cuidei para que a chama queimasse

Cantei sortilégios antigos

Conjurei deuses inventados e malditos

Até que a neve se transmutou em primavera

E voce , tal qual um rio

Fluiu até meus lábios,

Inundou minha garganta

E fiz do teu gosto em mim

Nossa eternidade.

Em tuas águas escuras eu caminho.

pes
feet