poesia

A menina que comia chuva

Tenho saudades do que é breve

e vai para além dos barcos.

Esvai-se com a alvorada.

 

Da menina que se perdia no tempo,

andando sob a chuva,

para sentir-lhe o gosto na boca

e tinha a ilusão de um dia comer um pedaço de nuvem e de uma estrela.

 

Saudades daquela menina:

amante das ruas, andarilha das tardes.

Que corria de bicicleta

Só para sentir o vento nas faces

A minha menina.

Eu mesma.