Argentina, Brasileiros vivendo na Argentina, Carta de Che Guevara a Aleida March, viagem

Hasta siempre

Numa viagem que fiz a região de Cordoba, Argentina, passei por uma pequena cidade chamada Alta Gracia. Pouco conhecida até mesmo na Argentina, é uma cidade singela, colorida de flores por toda parte, muito simpática que abriga  museus  locais , entre eles o Museu Che Guevara. O pequeno museu é, na verdde, a antiga casa onde ele viveu com a família durante sua infância.

É muito curioso imaginar que naquele quintal ele brincou. Que sensação pretérita entrar na cozinha, no quarto dele. Em cada comodo há histórias dele. Onde viveu o Che menino, subindo na árvore daquele quintal, rindo e correndo. Foi daquela casa que ele um dia partiu com uma moto, pela América Latina, foi a viagem que mudou completamente a visão dele sobre o mundo e sua vida. A moto ainda está lá.

Entre pedacinhos de memórias aqui e acolá, há cartas escritas para seus filhos, esposa, familiares, móveis, brinquedos, fotos, fragmentos de diarios, partes de uma vida. E, uma  destas memórias em especial me chamou a atenção. Em minha mente se contruiu uma imagem, a imagem de um Che que voltaria a qualquer momento por conta do aroma de um café. Chegaria com seu sorriso largo, se sentaria e a tarde passaria lenta, plena de histórias e lembranças. Um instante perene cristalizado num tempo e espaço que não existe. Lá Che vive eternamente, não o herói, não o guerreiro, mas o homem comum-menino. Reproduzo aqui no idioma original, seguido da tradução para o portugues.

Carta de Ernesto ‘Che’ Guevara a Aleida March.

“Amor: ha llegado el momento de enviarte un adiós que sabe a campo santo (a hojarasca, a algo lejano y en desuso, cuando menos). Quisiera hacerlo con esas cifras que no llegan al margen y suelen llamarse poesía, pero fracasé; tengo tantas cosas íntimas para tu oído que ya la palabra se hace carcelero, cuanto más esos algoritmos esquivos que se solazan en quebrar mi onda. No sirvo para el noble oficio de poeta. No es que no tenga cosas dulces. Si supieras las que hay arremolinadas en mi interior. ¡Pero es tan largo, ensortijado y estrecho el caracol que las contiene, que salen cansadas del viaje, malhumoradas, esquivas, y las más dulces son tan frágiles! Quedan trizadas en el trayecto, vibraciones dispersas, nada más. […] Carezco de conductor, tendría que desintegrarme para decírtelo de una vez. Utilicemos las palabras con un sentido cotidiano y fotografiemos el instante.

Se acabaron los cantos de sirena y los combates interiores; se levanta la cinta para mi última carrera. La velocidad será tanta que huirá todo grito. Se acabó el pasado; soy un futuro en camino. No me llames, no te oiría; sólo puedo rumiarte en los días de sol, bajo la renovada caricia de las balas […] Lanzaré una mirada en espiral, como la postrera vuelta del perro al descansar, y los tocaré con la vista, uno a uno y todos juntos. Si sientes algún día la violencia impositiva de una mirada, no te vuelvas, no rompas el conjuro, continúa colando mi café y dejáme vivirte para siempre en el perenne instante.”

“Amor: chegou o momento de te enviar um adeus que sabe a campo santo (restolho, a algo distante e não utilizado). Queria faze-lo com estas figuras que caem aos pedaços e são freqüentemente chamados de poesia, mas fracassei; Eu tenho tantas coisas íntimas para teu ouvido mas a palavra se torna carcereira, além do mais estes algoritmos esquivos que deleitam-se em quebrar a minha onda. Eu não sirvo para o nobre ofício de poeta. Não que eu  não tenha coisas doces. Se você soubesse das que se agitam dentro de mim. Mas é tão longo, cheio de voltas e estreito que o caracol que as contêm, que saem cansadas da viagem, mal humoradas, esquivas, e as mais doces são tão frágeis! Saem despedaçadas no caminho , vibrações dispersas, nada mais. […] Careço de condução, teria de desintegrar-me para te dizer de uma só vez. Usemos as palavras com um sentido cotidiano e fotografemos o momento.

Acabaram-se os cantos das sereias e os embates interiores; se ergue a fita para minha última corrida . A velocidade será tanta que escapará todo grito. O passado acabou; Eu sou um futuro a caminho. Não me chame, não te escutaria; Só posso ruminar-te ( no sentido de pensar profundamente em alguém) em dias de sol sob a renovada carícia de balas […] Lançarei um olhar em espiral , como a volta que o cão dá para descansar, e lhes tocarei com meu olhar, um a um e todos juntos. Se um dia você sentir a imposição de um forte olhar, não se vire, não quebres o encanto, continua coando meu café e deixe-me viver para sempre no momento perene “.

Para mim, ele estará ali, o Che menino naquele muro sentado e sorrindo, eternamente. Também vive lá o Che homem-comum tomando um café.

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O tempo sem tempo

Há um ano mais ou menos resolvi fazer um curso de pintura em madeira. Passeando pelas ruas próximas a casa onde morei em Buenos Aires, me deparei com uma pequena loja, com objetos tão simpáticos a venda, acabei por comprar um pequeno fogão de madeira para Sophia. Foi então que vi um cartaz anunciando um curso de pintura. Pertinho de casa, uma tarde na semana.

Eu já estava sem fazer nada há algum tempo e me pareceu uma ótima maneira de dar vazão ao meu lado criativo.Mal sabia eu que, uma loja tão pequenina podia encerrar em si tantas maravilhas, que me renderia momentos que se cristalizariam  como belissimas recordações.Eu queria apenas aprender pintura em madeira. Então, numa quinta a tarde cheguei, sem saber direito o que iria fazer.

Estavam lá Naty e Ana (as professoras ), uma senhora de uns 65 anos e mais uma mulher de uns 30 anos. Naty, espanhola  nascida em Barcelona,gostwava de cinema e andar de patins, professora de artes plasticas e especializada em restauração de obras de arte, com histórias engraçadíssimas da Espanha, de seus ex namorados, de sua mãe, tipica mãe catalã, das comidas de lá, da época em que viveu na França, me ensinava umas palavras em catalão,. Ana, professora de artes plásticas, gostava de ensinar receitas veganas e ler tarot , mas acreditava que não podia cobrar a leitura, que a visão era um dom, uma mulher com a sabedoria de todas as coisas, falava de filosofia, medicina holistica, de suas tardes de domingo onde ia dançar tango com as amigas, das filhas, dos cachorros que havia resgatado nas ruas. A outra senhora, Haydee gostava de conversar com pessoas no onibus e ouvir suas histórias de amor, gostava de  contar sobre sua netinha, de sua infância na Patagonia, da época que morou na Alemanha, dos livros, sempre ótimas indicações para leitura; a outra moça,  contava sobre quando morou na Espanha,mas se apaixonou por um argentino e montou  negócio em Bariloche, se separou , arranjou um nanmorado que dançava milongas como ninguém e vendeu tudo , foi  morar em Buenos Aires, mas tinha acabado de brigar com o novo amor.

Eram tardes imersas nesta agua pulsante e feminina, um mundo trasbordando a perfume, a receitas, poesia, arte, livros, cores, dividiamos nossas histórias de alegrias, de amores  inesquecíveis, de desencontros e reencontros. O tempo parava durante aquelas duas horas. Minhas tardes almodovarianas. Ríamos, nos emocionávamos, tomávamos chá, trocávamos conselhos sobre o tudo e o nada e pintávamos. Coloriamos e criavamos nossas peças com retalhos de hitórias de mulheres, nossas histórias.

Toda quinta. Um grupo de mulheres reunidas. Mulher este ser encantado, mutante, camaleoas que deixa um rastro de estrelas por onde passa. A pequena lojinha ainda existe, passei por ela há dois meses, mas não entrei. Vi Naty sentada pintando, outras mulheres rindo, convernsando.Eu um dia estive ali, naquela pintura. Preferi guardar o momento assim. Se um dia alguém passar por lá digam que eu mando um beijo enorme. A lojinha chama-se Bendita Tienda .

“A las mujeres hay que tenerlas en cuenta. Hablar con ellas, tener un detalle, de vez en cuando. Acariciarlas de pronto. Recordar que existen, que están vivas y que nos importan. Esa es la única terapia.” (Hable con ella)

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Barrio Chino

 

 

 

Barrío Chino, para mim a Chinatown Porteña, se localiza próximo a Belgrano, pertinho de um parque conhecido como Barrancas. Um lugar fantástico para quem aprecia boa gastronomia bem como cozinhar. Permeado de pequenos coméricos onde voce encontra de tudo: artigos eletro-eletronicos, roupas(inclusive aqueles sapatinhso chineses cheios de lantejolas e roupas chinesas exóticas e tambem aquelas populares), artigos para casa (panelas, plasticos, porcelanas, etc), jardinagem (bonsai), comics e bonequinhos de varios super herois a preços interessantes. É  lá também o melhor local da cidade para se comprar peixes frescos e frutos do mar. Além disso,  voce encontra uma variedade incrível de condimentos, especiarias raras e muitos temperos frescos, alem de artigos importados como shoyo, molhos de pimenta, azeites e vinagres de todos os tipos, arroz de todas variedades, bem como outros grãos (feijoes de todo tipo, milho, etc), fungos que voce nem imaginava que existia. Ou seja, é o paraíso de quem , como eu , curte cozinhar e testar novos sabores em sua cozinha.

 

Imperdíveis são as comemorações do Ano Novo Chines, bem como o Festival da Lua.

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Lá também é possivel encontrar inumeros pequenos consultorios de acupuntura e reflexologia. Há ainda uma rua muito antiga que esta preservada exatamente como na época de sua cosntrução com casinhas antigas, mas a rua esta aberta apenas aos moradores. Deu para tirar uma foto da entrada:

 

 

 

 

Há também uma gama enorme de restaurantes chineses, coreanos, tailandeses, japoneses, e comida peruana, além de pequenos quiosques que ficam em esquinas com comida para comer em pé mesmo na rua, sempre comida oriental. Uma experiencia gastronomica imperdível. Entre os que recomendo é um de comida tailandesa com um ambiente super agradavel e um menu absolutamente delicioso,  o Lotus Neo Thai, mas dependendo do dia é melhro fazer reserva, costuma lotar nos finais de semana.

Para comprar condimentos um bom lugar é Casa China, mas é interessante entrar em outros locais para pesquisar preços ou mesmo encontrar iguarias.

 

É um passeio interessante que vale muito a pena. Uma das maneiras mais faceis de chegar é de trem ou onibus, fica próximo ao bairro de Belgrano, na região de Barrancas.

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Mais informações aqui  http://www.barriochino.net/index.php

 

 

 

viagem SãoPaulo-BuenosAires

Travessia parte 3

Depois de Floripa rumo a Porto Alegre, rever familia, ouvir histórias do passado, revistar minha cidade natal com suas mercearias com montes de frutas expostas mas que vc não pode tocar, parque Farroupilha onde brinquei minha infancia, fui no Zafari, tomei mate. Visitei minha madrinha, amigos, primas, tias.

E estrada de Floria a Porto Alegre está muito melhor do que na minha infancia, pista dupla bem asfaltada. Uma viagem bem tranquila. Logo após esta viagem uma de minhas tias veio a falecer, ao menor pude dar meu ultimo adeus ainda em vida.

Ganhei fotos de meus avós, bisavós. Esta na foto é minha avó que fugiu aos 17 anos de casa para morar com meu avô, um escandalo naepoca, tiveram filhos sem se casar na Igreja, nem no civil. Minha avó, a da foto do meio, uma de minhas almas gemeas, sempre comigo, no meu coraçao. sempre escuto sua voz me chamando pelo meu apelido mais lindo: lírio-lírio.

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