poesia

Miro o Universo que me mira

Portugues/English

Existem noites que são como vitrais

Um amontoado de pedaçinhos de vidros coloridos

Um quebra cabeça de peças que nem sempre se encaixam

Um mar, onde imagens do subconsciente flutuam

Emergem fotos aqui e acolá,

Misturadas à paisagem do dia anterior.

Um baile de miragens

Onde bailarinos de outros mundos saltam

Trazendo consigo suas mensagens

E então, as ondas batem com força contra as rochas

Formando imagens caleidoscópicas

E, quando despertamos o silencio é tão urgente.

No silencio colhemos todas estas peças que chegaram até a areia

Até que elas façam algum sentido.

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Some nights are like stained glass

A heap of colorful glass pieces

A puzzle of pieces that do not always fit

A sea, where images of the subconscious float

Pictures emerge here and there

Mixed to the  landscape from the day before

A dance of mirages

Where dancers from other worlds jump

Bringing their messages to you.

And then, the waves hit hard against the rocks,

Forming kaleidoscopic images

And when we wake up, the silence is so urgent.

In the silence we harvest all these pieces that reached the sand

Until they make some sense.

 

andre2
Andre Chénier, Bregenz, Austria
poesia

Le rencontre des eaux

Acendi uma vela e a cravei sobre a neve

Esperei por longas noites e muitas vidas

E cuidei para que a chama queimasse

Cantei sortilégios antigos

Conjurei deuses inventados e malditos

Até que a neve se transmutou em primavera

E voce , tal qual um rio

Fluiu até meus lábios,

Inundou minha garganta

E fiz do teu gosto em mim

Nossa eternidade.

Em tuas águas escuras eu caminho.

pes
feet

 

 

 

poesia

De Profundis

Portuguese/English

Deixe uma trilha para que eu te siga

Quando eu nascer de novo

Para eu voltar para casa

Sussurra teu paradeiro às conchas

Buscarei tuas pistas  de sal e vento

Quando eu nascer de novo

Eu seguirei os rastros do teu cheiro,

Minha estrada e teu caminho,

Pernas que se entrelaçam

Em encruzilhadas lascivas.

Quando eu nascer de novo

E sair da fundura para respirar

Emergirei na superfície dos teus olhos

Que são meu lar, meu farol

Que tem a cor das tempestades no mar

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Leave a trail for me to follow you

When I’m born again

Thus i can come back to home.

Whisper your whereabouts to the shells

I’ll look for your tracks of salt and wind

When I’m born again

I will follow the traces of your scent,

My road and your path

Legs that intertwine

At lascivious crossroads.

When I’m born again

And get out from profundities to breathe

I will rise on the surface of your eyes

Which are my home, my beacon

Which have the color of storms in the sea

japan
Utagawa Kuniyoshi

 

 

poesia

Arrival

Llegada

Y uno de algún modo llega
se encuentra bajando las hombreras de
su vestido
en un dormitorio extraño–
siente el otoño
que deja caer sus hojas de seda y lino
sobre sus tobillos.
el cuerpo cursi y venoso emerge
retorcido sobre sí mismo
¡como viento de invierno…!

Arrival

And yet one arrives somehow,
finds himself loosening the hooks of
her dress
in a strange bedroom—
feels the autumn
dropping its silk and linen leaves
about her ankles.
The tawdry veined body emerges
twisted upon itself
like a winter wind . . . !

poem by William Carlos Williams

nu

poesia

Au revoir

Meus olhos acompanhavam

Quando ele virou aquela esquina

E se dissolveu no ar

Não lembro ao certo que dia era

Não tenho a lembrança de fazer frio ou calor

Apenas sabia que era o tempo certo da partida

Au revoir e não volte, disse baixinho para mim mesma

Nunca te amei, conclui.

Tua presença viscosa e sufocante.

Conviviamos.

Nunca foste minha criação, não te construí

Um amontoado de partes costuradas ou pregadas por outras pessoas.

Naquele dia virou a esquina um Eu que não era meu, que não era eu

Lufadas de ventos enchiam meus pulmões.

Escutas?

São as nuvens falando, é a agua inundando o jardim,

São meus pés desnudos bailando sobre a terra.

Soy una luciernaga que arde en el fuego de las estrellas

Mon coer est une boîte a musique

Sou feita de um sortilégio antigo

Não posso ser lida

Apenas  imaginada.

 

tarsila
Tarsila do Amaral, Figura Só
poesia

Outonal

Chegou este outono

Com seus ventos cantoralantes

Cantando nostalgias, saudades, encontros

A ponta do teu nariz gelado em minha nuca.

Tempo dos ultimos preparativos antes de nos fecharmos em nossas conchas quando o inverno chegar.

E se apressem, ainda há tempo, mas ele é pouco.

Ainda é possivel declarar seu amor

Rasgar o peito e transbordar toda paixão

Trançar com desejos aguados

Um manto para o bem amado

Ainda há tempo para fazer um ninho

Um ninho para este amor sépia

Este amor antigo, guardado

Que cheira a lavanda.

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And this autumn cames

With its hummed winds

Singing nostalgy, longing, meetings

The tip of your cold nose on my back.

Time for the last preparations before we retreat ourselves into our shells for when the winter comes.

And hurry up, there is still time, but it is short

It is still possible to declare your love

Rip your chest and overflow all passion

Braiding with watery desires

Braiding with watery desires

A cloak for the beloved

There’s still time to make a nest

A nest for this sepia love

This ancient love, stored love

That smells like lavender.

Photo by Julia Pelish Photography